Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Estudo diz que crença nos contracetivos pode condenar os ateus ao desaparecimento

Estudo do Dia

Kristian Dowling/ GettyImages

Natalidade é maior entre os crentes do que entre os ateus

Não é a religião que está condenada ao desaparecimento, como diz a teoria da secularização, mas sim o ateísmo. Assim afirma um grupo de investigadores, num novo estudo, publicado, este mês, na revista científica Evolutionary Psychological Science, que atribui a culpa ao crescente uso de contracetivos.

"É irónico que os métodos anticoncecionais eficazes tenham sido desenvolvidos, numa primeira instância, por secularistas e que estes métodos estejam a diminuir lentamente a representação proporcional de secularistas nas gerações vindouras", afirmaram os autores do estudo ao The Times.

Na investigação, participaram mais de 4 mil estudantes de universidades dos EUA e da Malásia, aos quais foram colocadas questões sobre as suas crenças religiosas e sobre o número de irmãos. Na Malásia, os estudantes que não apresentavam qualquer vinculação religiosa tinham, em média, menos 1,5 irmãos do que a média geral. Nos EUA, esta diferença não é tão significativa: menos 0,16 do que a média – os pais de filhos não religiosos tinham, em média, 3,04 filhos, enquanto os pais de filhos religiosos tinham, em média, 3,2 filhos.

Os resultados revelaram, ainda, que a fertilidade parental variava consideravelmente entre grupos religiosos. Verificou-se que os muçulmanos pertenciam ao grupo mais religioso e também mais fértil e que, do outro lado do espectro, estavam os judeus e os budistas, como os grupos menos religiosos e menos férteis. Dentro dos grupos mais religiosos, a religiosidade foi positivamente associada à fertilidade.

Ainda que seja possível pais religiosos terem filhos não religiosos e vice-versa, o estudo lembra investigações anteriores que já mostraram que a crença religiosa tem uma componente genética. Ou seja, para além de ser passada culturalmente pelos pais, a crença em determinada religião pode também ser herdada geneticamente.

Os investigadores explicam que, antes do século XIX, provavelmente não havia diferença entre aqueles que apresentavam ou não os genes de religiosidade, mas que, a partir de meados desse século, começou a haver um impacto nas taxas de fertilidade – principalmente nas sociedades industriais –, provocado por um melhor conhecimento da reprodução humana.

Durante esta época, os indivíduos com maior capacidade para controlar a sua fertilidade eram também os menos religiosos e aqueles que tinham um maior nível de educação. Portanto, a partir daqui, dizem os autores do estudo, os secularistas começaram a controlar o número de filhos que pretendiam ter. Este ritmo de controlo foi intensificado com o aparecimento dos métodos contracetivos em meados do século XX.

"Como resultado, os secularistas têm se reproduzido em taxas mais baixas do que os mais religiosos há mais de um século, mas principalmente a partir de meados do século XX. Portanto, os genes mais propícios ao pensamento secularista (por exemplo, aqueles que indicam alta inteligência e baixa religiosidade) têm vindo, gradualmente, a decrescer em termos proporcionais, especialmente nos países industrialmente mais avançados", escrevem os autores.