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Forma do corpo pode influenciar risco de desenvolver diabetes tipo 2

Estudo do Dia

Corpo com forma de maçã aumenta o risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2 e doença arterial coronária

As pessoas que têm o corpo em forma de maçã, ou seja, que têm o peso concentrado no abdómen em vez de nas ancas e nas coxas, têm maior risco de vir a desenvolver diabetes tipo 2, doença arterial coronária e maior incidência de vários riscos cardiovasculares. Foi o que descobriu um novo estudo, realizado pelo Massachusetts General Hospital e publicado no Journal of the American Medical Association.

Para perceber se a forma do corpo pode aumentar o risco cardiometabólico, os investigadores desenvolveram um valor de risco genético – Índice de cintura e quadris ajustado ao índice de massa corporal (IMC) –, utilizando uma abordagem chamada randomização mendeliana, através da qual se calcula se as variantes genéticas herdadas podem levar ao desenvolvimento de uma doença.

De seguida, aplicaram este valor de risco genético ao genoma de seis estudos anteriores e aos dados de 400 mil pessoas, fornecidos pelo U.K. Biobank, de forma a determinar alguma associação entre a predisposição genética para o desenvolvimento de adiposidade abdominal e doenças cardiometabólicas.

Os resultados mostraram que a predisposição genética para ter adiposidade abdominal, o nome dado à concentração de gordura na zona da barriga, está associada a um aumento significativo da incidência de diabetes tipo 2, da doença arterial coronária, de lípidos e glicose no sangue e da pressão arterial sistólica.

"A falta de associação entre o valor de risco genético do tipo de corpo e fatores como a dieta e o tabagismo, é uma evidência de que a adiposidade abdominal, por si só, contribui para causar diabetes tipo 2 e doenças cardíacas" referiu, Connor Emdin, um dos autores do estudo.

Embora sejam necessárias novas investigações para perceber se é possível, os investigadores acreditam que, no futuro, alguns medicamentos podem conseguir alterar as características do corpo, de forma a evitar estes riscos. "Estes resultados permitem não só conceber o tipo de corpo como um fator de aumento do risco cardiometabólico, como também colocam a hipótese de que o desenvolvimento de medicamentos para alterar a distribuição de gordura pode ajudar a prevenir estas doenças", acrescentou o investigador.