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Petróleo: é improvável que estejamos perante “um problema para a economia global”

Atualidade

Luis Barra

Empresas nacionais já fizeram saber que “não haverá nenhuma crise de abastecimento” de combustíveis. Preços não sobem mais que o normal

António Comprido, secretário-geral da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (Apetro), afirmou esta tarde que "não haverá nenhuma crise de abastecimento" de combustíveis na sequência do corte na produção de petróleo na Arábia Saudita. Citado pela Lusa, e em declarações aos jornalistas à margem da apresentação de um estudo solicitado pela Apetro à KPMG sobre o papel dos produtos petrolíferos na redução das emissões carbónicas em Portugal, em Lisboa, António Comprido afirmou que "não vai faltar petróleo no mercado", mas que um ataque a uma refinaria na Arábia Saudita causa nervosismo nos mercados financeiros, pelo que era esperada uma subida dos preços esta segunda-feira.

“O crude não pesa mais que 20% no preço final dos combustíveis, portanto, significaria 2% de impacto [no caso de uma subida de 10% do barril de petróleo]. A haver um ajustamento de preço será um ajustamento na ordem de grandeza daqueles que estão habituados a ver nas descidas e subidas semanais. Não vai haver nenhuma tragédia em termos de subida dos preços dos combustíveis”, acrescentou Comprido. Além disso, salientou o responsável, só durante a próxima semana é que será possível fazer contas mais certas ao impacto deste episódio particular, uma vez que os preços da venda de combustíveis ao público refletem as cotações da semana anterior.

Os dados compilados pela agência financeira Bloomberg mostram que o preço do barril de crude disparou 12 dólares no início da primeira sessão da semana, o valor mais elevado, em termos de valor, desde que há contratos de futuros em negociação. Ou seja, desde 1988. Em Londres, o barril de ‘brent’, que serve de referência para Portugal, teve a maior escalada de preço desde a Guerra do Golfo, em 1991, ao disparar quase 20%.

Não é um desastre

Também os analistas da Global Economics afirmavam esta manhã que “é improvável” que o ataque contra a refinaria da Aramco, na Arábia Saudita, que está a causar o pânico nos mercados, “seja um desastre para a economia global”. A Arábia Saudita, esclarecem os mesmos analistas numa nota a que a VISÃO teve acesso, tem capacidade para retomar rapidamente a produção, e mesmo que esse cenário não se verifique, o reflexo nos preços e nas economias mais desenvolvidas deverá ser bastante limitado.

Recorde-se que a Arábia Saudita é o maior produtor mundial de petróleo, representando 70% das reservas da Organização dos Países Exportadores de Petróleo. O ataque deste fim de semana provocou um corte de produção na ordem dos 5,7 milhões de barris por dia, mais de 5% do fornecimento mundial desta matéria-prima.

Depois de se congratular, no Twitter, por ser atualmente o maior produtor de energia do mundo – apesar de esse título pertencer aos EUA desde 2012, quando Obama ocupava a Casa Branca – Donald Trump também já aprovou a utilização da Reserva Estratégia dos Estados Unidos para fazer face a uma quebra no fornecimento de petróleo.

O mesmo foi feito em Portugal, com a Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE) a disponibilizar-se esta segunda-feira para mobilizar reservas desta matéria-prima, caso se prolongue o corte temporário para metade do fornecimento da Arábia Saudita, que representa 5% da oferta mundial de petróleo.

Num comunicado divulgado esta manhã, a ENSE afirma que "dispõe de reservas estratégicas que podem ser mobilizadas para suprir uma falta eventual" e precisa que tem "à sua disposição 538,1 mil toneladas de crude em reservas físicas e 373,5 mil toneladas em tickets que representam direitos de opção sobre crude armazenado em Portugal e noutros países da União Europeia".

"Estas quantidades estão à disposição da ENSE para mobilização imediata, caso se entenda necessário", sublinha a ENSE, adiantando que "é importante destacar neste momento que, caso o impacto sobre a oferta seja persistente e os operadores que importam petróleo para Portugal tenham alguma dificuldade temporária para obter crude, o país através da ENSE dispõe de reservas estratégicas".