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António Lobo Antunes: Quem não tropeça em si mesmo nesta vida?

Atualidade

Resposta da direção da VISÃO às acusações do ex-cronista, numa entrevista hoje nas bancas

A DIREÇÃO

António Lobo Antunes prestigiou a VISÃO com as suas crónicas quase 19 anos, e é com o respeito e decoro que sempre mantemos e esta relação nos merece, que respondemos às acusações que faz hoje à VISÃO, numa entrevista.

Ao longo destes anos, António Lobo Antunes foi sempre tratado com especial deferência e zelo, merecendo por parte da equipa da revista um tratamento cordial de exceção. Foi pois com absoluto pasmo que recebemos a reclamação de António Lobo Antunes face à utilização da sua imagem e de uma sua frase numa campanha de assinaturas da VISÃO campanha essa obviamente autorizada por si e por todos os restantes colunistas nela envolvidos: Ricardo Araújo Pereira, Miguel Araújo e Kiko Martins.

Naturalmente, de forma alguma ocorreria a uma revista de referência como a VISÃO utilizar a imagem e frase de António Lobo Antunes ou de qualquer outro colunista (ou entrevistado), sem a sua prévia autorização. Com efeito, Lobo Antunes tem conhecimento, desde outubro de 2018, desta campanha, e manifestou o seu consentimento em participar em todas as etapas da mesma, que implicou a escolha das frases, a produção dos sacos (tem exemplares em sua posse desde dezembro do ano passado) e o desenho da ação de marketing, cujas fotos lhe foram mesmo dadas a escolher. Estas são, repetimos, as claras regras éticas que cumprimos com todos, e não apenas com António Lobo Antunes.

Queremos acreditar que a atual súbita e despropositada revogação desta autorização, que antes tinha dado de forma explícita, não se deve a má fé nem a uma tentativa de extorsão da VISÃO. E por isso procuramos agora, mais uma vez com a consideração que uma relação tão longa nos merece, respeitar a sua condição atual e a sua nova vontade, expressa após o lançamento da campanha, apesar dos danos elevados que nos causou, que serão tratados no devido foro. Tal como outras acusações proferidas em que a efabulação toma conta do escritor.

Curiosamente, “Quem não tropeça em si mesmo nesta vida?” foi a frase de António Lobo Antunes escolhida para o saco, com seu consentimento. Mesmo os génios, ou sobretudo eles, têm o direito a tropeçar. Mas o cansaço e acidez que Lobo Antunes acusava nos últimos tempos tornou-se indisfarçável nas suas crónicas, que o próprio apelidava, no espaço de liberdade absoluta que sempre lhe foi concedido na VISÃO, de “medíocres” e que confessava só escrever “por dinheiro”. Esta saturação tornou-se evidente para todos, e sobretudo para os leitores, que de forma crescente o fizeram notar.

E é aos leitores mas, acima de tudo, à verdade valor último e inalienável , que servimos, sempre com humildade. A mesma humildade com que desejamos a António Lobo Antunes os mais sinceros votos de felicidades nesta nova etapa da sua vida em que, como é do seu desejo e manifesto interesse mútuo, se liberta finalmente do “fardo” das crónicas que escrevia, para se dedicar apenas à literatura. Concentremo-nos por ora nas boas memórias e na admiração que temos pela obra e pelo escritor, esqueçamos os tropeços do homem.