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Bob Woodward descreve "golpe de estado administrativo" da equipa de Trump

Atualidade

Bob Woodward

Kris Connor

Um dos jornalistas que revelou o caso Watergate está de volta com um livro sobre Trump. Descreve os estratagemas de uma equipa desesperada para "controlar os seus impulsos e evitar desastres" do chefe "tresloucado"

Bob Woodward tem pergaminhos suficientes para ser levado muito a sério em Washington: foi ele, juntamente com Carl Bernstein, que revelou o escândalo Watergate na década de 70. Por isso, quando Woodward escreve sobre o presidente dos Estados Unidos, o mundo pára para ouvir. Será o caso, assim que o aguardado novo livro "Fear: Trump in The White House" sobre a presidência dos Estados Unidos veja a luz do dia e chegue às bancas.

O Washington Post teve acesso em primeira mão ao documento e descreve detalhadamente episódios alucinantes de um governo à beira de um "colapso nervoso".

Através de fontes da Casa Branca, Woodward dá nota de um "golpe de estado administrativo" por uma equipa preocupada e controlar os danos de um presidente impreparado. O livro de 448 páginas relata "maquinações escondidas" entre os que figuram no seu círculo de confiança para "controlar os seus impulsos e evitar desastres, tanto para o presidente pessoalmente como para a nação que foi eleito para liderar".

Há membros do staff que conspiram nas suas costas para retirar papéis oficias da sua secretária de forma a que não os possa ver nem assinar. O Washington Post afirma que Woodward descreve detalhadamente a forma como a sua equipa é surpreendida negativamente com a sua falta de curiosidade e conhecimento sobre assuntos internacionais e as suas perspetivas básicas acerca de assuntos militares.

Donald Trump com John F. Kelly

Donald Trump com John F. Kelly

Chip Somodevilla

John F. Kelly, chefe de gabinte da Casa Branca, frequentemente perdia a cabeça e dizia que Trump era "tresloucado". Em petit comité, disse um dia: "Ele é um idiota. Não vale a pena tentar convencê-lo de nada. Ele saiu dos carris. Estamos em Crazytown (terra dos loucos). Nem sei porque é que nós estamos aqui. é o pior emprego que ja tive". F. Kelly já assumiu que serve o Presidente com "sentido de dever e de missão" e que já teve momentos de "grande frustração" nestas funções onde está desde julho de 2017. Resta saber quanto tempo perdurará nesta pasta depois destas revelações.

O livro relata ainda episódios graves para a paz internacional. Depois de Bashar al-Assad ter lançado um ataque de armas químicas sobre civis em abril de 2017, Trump ligou para Jim Mattis, com a pasta da Defesa, e disse que queria assassinar o ditador. "Let's fucking kill him! Let's go in!" ("Bora matá-lo. Vamos entrar!"), terá dito, de acordo com Woodward citado pelo WP.

Dentro da Casa Branca, Trump é descrito pelos que lhe são próximos como um líder instável distanciado das convenções da governação, sempre pronto a desestabilizar a equipa e a massacrá-los numa base diária.

Reince Priebus, o anterior chefe de gabinete, disse que pouco podia fazer para evitar o caos, sobretudo quando Trump se enfiava no quarto presidencial e via obsessivamente televisão. Às madrugadas e os domingos ao fim do dia em que eram frequentes as tempestade de tweets chamava de "horas de bruxaria".

Rob Porter, um elemento do staff que saiu em fevereiro, resume bem a situação: “Isto já não é uma presidência. Isto já não é a Casa Branca. Isto é um homem a ser ele próprio".

  • Estes homens desafiam presidentes. E estão de volta!

    Mundo

    Os jornalistas fundamentais na denúncia do caso Watergate voltam a fazer manchetes. Carl Bernstein ajudou a revelar uma história que pode contribuir para acusar Donald Trump de obstrução à justiça. Bob Woodward prepara-se para lançar um livro com novidades sobre a atual administração norte-americana. Poderá Trump seguir o mesmo caminho de Nixon?