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Afinal não há só dois tipos de diabetes, há cinco

Atualidade

D.R.

Estudo publicado na revista Lancet mostra que há vários tipos de diabetes. Classificação mais precisa poderá ajudar a melhorar o tratamento oferecido a cada doente

Sara Sá

Sara Sá

Jornalista

Mesmo na diabetes, uma doença que afeta mais de 420 milhões de pessoas em todo o mundo - cerca de um milhão em Portugal -, ainda há muito por entender. Até agora, os casos eram classificados em diabetes tipo 1 - uma doença autoimune, que normalmente aparece na infância, em que o pâncreas não produz a hormona insulina. E depois a diabetes tipo 2, que afeta adultos em que a quantidade de insulina produzida não é suficiente para garantir um aproveitamento eficaz da glicose por parte das células.

Agora, um estudo escandinavo, publicado na revista Lancet, veio mostrar que esta classificação é demasiado simplista o que acaba por prejudicar o tratamento. Depois de analisarem dados de quase nove mil pacientes suecos, a equipa coordenada pelo investigador e endocrinologista da Universidade de Lund, Leif Groop, acabou por reagrupar os doentes em cinco grupos.

- Diabetes tipo 1: além da doença infantil, a que surge no adulto, também de origem auto-imune, está nesta mesma categoria. É uma forma muito grave da doença. E exige a toma de insulina.

Dentro da diabetes tipo 2, surgem agora quatro categorias diferentes:

- Diabetes por défice de insulina: pacientes jovens, com índice de massa corporal normal, baixa produção de insulina. Forte tendência para desenvolver retinopatia diabética. A maior parte dos pacientes deste grupo tomava metformina, o medicamento oral mais comum para o tratamento da diabetes. Mas a recomendação da equipa é que sejam tratados com insulina.

- Diabetes resistente à insulina: associada à obesidade, as células apresentam muita dificuldade em reconhecer a insulina. Este pacientes têm problemas no fígado e no rim. São os pacientes que beneficiam mais da toma de metformina.

Diabetes ligeira relacionada com a obesidade: pessoas com excesso de peso, mas sem grande impacto da doença

Diabetes relacionada com a idade: sintomas associados ao envelhecimento.

O estudo foi suportado por uma análise genética, que mostrou características diferentes para cada uma das novas categorias.

"A diabetes não é esta massa cinzenta a que temos chamado tipo 2 – há categorias da doença que exigem de facto tratamentos diferentes”, disse o endocrinologista.

A expectativa é a de que esta classificação mais afinada leve a tratamentos direcionados, logo mais eficazes.