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Como a castanha-da-índia pode ter um papel crucial no diagnóstico de cancro

Atualidade

D.R.

Cientistas da Universidade de Nova Iorque criaram um gel à base de castanha-da-índia capaz de simplificar o diagnóstico de cancro em imagens computorizadas

Cátia Leitão

Investigadores da Universidade de Nova Iorque descobriram que uma das susbtâncias químicas encontradas na venenosa castanha-da-índia, a esculina, pode ajudar a diagnosticar o cancro numa fase inicial. Ao ser usada durante ressonâncias magnéticas, TACs e ecografias, a esculina reage à radiação e torna o gel fluorescente e brilhante quando a luz se reflete na massa cancerígena.

Atualmente as imagens computorizadas usadas para analisar a possível presença de uma doença oncológica produzem uma luz azul que ilumina os tecidos. Mas essa luz, além de ser de baixa intensidade, também é facilmente absorvida pelo tecido o que dificulta o diagnóstico do cancro. Com este gel, que melhora a visibilidade dos tumores nas imagens, George John, professor do departamento de Ciências da universidade, e Jan Grimm, cientista e médico no Sloan Kettering Institute, acreditam poder resolver esse problema e tornar o diagnóstico mais simples.

Num artigo publicado pela Universidade, Jan Grimm diz acreditar que "a possibilidade de desenvolver uma aplicação do gel torna esta inovação uma melhoria potencialmente atraente face às técnicas atuais de deteção de cancro através da imagem".

O estudo é acompanhado de imagens que provam a descoberta feita pelos cientistas. Pode ver-se uma imagem onde não é usado o gel de esculina e outra onde é. Mesmo com a presença de um tumor, a imagem sem gel é pouco visível enquanto que na imagem onde o gel molecular é usado, a zona onde se encontra a massa cancerígena é iluminada com uma luz azul fluorescente.

The City College of New York

George John, autor principal do estudo, sublinha que a sua investigação assenta na ideia de que a inovação pode ser inspirada pela natureza para desenvolver tecnologias económicas e verdes para um futuro sustentável. "A adaptação de materiais bio-baseados para sintetizar hidrogéis oferece sistemas de ajuda à imagem que não são apenas funcionais, mas também económicos, seguros e ambientalmente amigáveis".