A Francesinha

A francesinha "é do povo", costuma dizer a Confraria desta iguaria inventada há 60 anos por Daniel David da Silva na Regaleira, idealizada a partir das viagens deste ex-emigrante a França. Neste restaurante da Rua do Bonjardim ainda é servida como antigamente, em pão bijou (ou molete), com os "calóricos" fiambre, linguiça, salsicha fresca, carne de porco, fatia de queijo, regada com molho picante.
O "povo" a que a Confraria se refere é uma metáfora para o facto de existirem muitos lugares onde é servida, sem haver uma lista oficial dos restaurantes que a confecionam.
Contudo, entre os locais mais famosos para a saborear estão o Café Santiago, Bufete Fase, Aviz, Convívio, Capa Negra. Nem os restaurantes de cozinha de autor lhe escapam e incluem-na (mesmo que mais contemporânea) no seu cardápio, como acontece no Bb Gourmet, no DOP de Rui Paula, ou no Mercado de Luís Américo.


As novas feiras de rua

Acontecem ao fim de semana e já não se livram de ser um postal urbano da cidade. Dos brinquedos de madeira aos discos de vinil, dos livros de banda desenhada à roupa e joalharia, tudo se vende por aqui. O Mercadinho dos Clérigos (nascido em 2007, na Rua Cândido dos Reis, por iniciativa do Plano B) foi o pioneiro. Dois anos depois, o Mercado Porto Belo chegou à Praça Carlos Alberto e, mais tarde, surgiu o Urban Market com moda, design de produto, joalharia, artesanato, gastronomia e, até, cabeleireiro à boleia de uma lisboeta que optou por viver no Porto. O Flea Market, criado pela S.P.O.T., tem mostrado como os artigos em segunda mão também estão na moda e levado o vintage a jardins, praças e parques de estacionamento. Mais recente é o Cedofeita Viva. A rota não fica completa sem a "velhinha" Feira da Vandoma, nascida na década de 70, e que ainda leva milhares de pessoas às Fontaínhas aos sábados de manhã.


À boleia pelo Porto

Há cada vez mais formas de conhecer o Porto, percorrer as suas ruas estreitas, com o casario com flores nas janelas e roupa a secar nos estendais, subir aos miradouros, avistar o património: antigos elétricos, autocarros panorâmicos, vespas e tuk tuk tailandeses (onde não faltam mantas para cada qual se aquecer nestes dias frios), segways e carros clássicos que entraram, há poucos meses, nos circuitos turísticos do Porto, tal como os ecológicos Twizy (cujo GPS faz de guia turístico).
Para os mais desportistas, há bicicletas.
Na outra margem do rio, um teleférico sobe até à Serra do Pilar, com vista sobre o Douro. Acompanhando o aumento do turismo, a ACT/Tours, existente há dez anos, vai apostar, este ano, num bilhete único e em novos pacotes turísticos. O site www.portotours.com foi renovado, permitindo a reserva direta de qualquer viagem turística.


O vinho do Porto e as caves

É impossível visitar o Porto sem ir às caves, situadas do outro lado do rio, em Gaia, onde os barcos rabelo nos fazem recuar ao tempo em que as pipas eram transportadas do Douro para aqui repousar. O roteiro das caves, quase todas com nomes de ingleses (os maiores comerciantes de vinho do Porto) é variado e pode ser consultado em www.cavesvinhodoporto.com . Ferreira, Croft, Cálem, Taylor's são algumas das mais emblemáticas. As lojas de vinho amontoam-se com as de souvenirs, numa rua com o melhor ângulo da ribeira. Na moda estão os cocktails e a gastronomia com vinho do Porto. Há dois anos, a Porto Cruz abriu um edifício multimédia à beirario cujo terraço em uma vista privilegiada.
Se quiser complementar a visita, não perca o Museu do Vinho do Porto, junto da Alfândega. Há quem não se contente com a ida às caves e suba às encostas do Douro vinhateiro.


O Estádio do Dragão

Paixões futebolísticas à parte, o Estádio do FC Porto tornou-se num dos pólos turísticos da cidade. A comproválo estão as visitas guiadas ao estádio, inaugurado em 2003, projeto arquitetónico de Manuel Salgado, e o recém-inaugurado museu do clube aberto em final de outubro que já recebeu mais de 30 mil visitantes. Palco de alguns dos maiores concertos da cidade por lá passaram os Rolling Stones, Coldplay, Muse, e em breve, os One Direction o Estádio do Dragão é um indiscutível ícone da cidade, mesmo para quem não veste de azul e branco.


As lojas antigas

O Porto ainda tem lojas de outros tempos. A Confeitaria do Bolhão (1896), na Rua Formosa, guarda as memórias do tempo em que os fregueses ali tomavam o pequeno-almoço, antes de irem ao mercado. Bem perto, há outras casas centenárias (ou quase): a Mercearia do Bolhão, a Pérola do Bolhão (1934), e a Casa Hortícola (1921) que vende sementes e bolbos. Na R. Sá da Bandeira, a Casa Chinesa (anos 50) continua a ser uma das mercearias finas mais procuradas, além da Casa Oriental (1910), junto dos Clérigos. Apesar de se ter expandido, a Arcádia (1933) da R. do Almada mantém o espírito revivalista desta marca de bombons. Mais abaixo, na Pç. da Liberdade, a Ateneia guarda a memória dos antigos salões de chá, e a Chapelaria Ideal (1890), próxima de S. Bento, ainda vende chapéus como antigamente.


As tascas e os petiscos

A fama de se comer bem na cidade também é proveito. Além das tripas à moda do Porto, dos rojões ou do bacalhau à Gomes de Sá, tornaram-se famosas as sandes de presunto da Badalhoca, as de pernil assado da Casa Guedes, os cachorros quentes do Gazela, o Nelson dos Leitões, no Bolhão, ou as bifanas da Conga. Nos últimos anos, porém, foram surgindo dezenas de novas petisqueiras, fazendo quase uma simbiose entre os petiscos portugueses e as tapas espanholas. A Casa Santo António, o Aduela, o Tascö, o Bar Tolo, o Linha 22, a Tasquinha dos Sabores, a Sandeira, o Das Tripas Coração ou a Taxca são exemplos das novas tascas do Porto.


Os mercados

Nem o avançado estado de degradação e risco de ruína tem evitado que os turistas fotografem e visitem o Mercado do Bolhão, o mais castiço do Porto, classificado em 2006 como monumento de interesse público.
A celebrar cem anos em 2014, o Bolhão continua à espera de obras de reabilitação e de um modelo de financiamento que não deixe cair um dos mais interessantes postais da cidade. Na Boavista, o Mercado do Bom Sucesso (1949) outrora comércio de frescos conheceu nova vida, em junho do ano passado. Numa versão mais contemporânea (amada por uns, odiada por outros), tornou-se num megacentro de vinhos e petiscos (onde não falta sequer um hotel ), tendo colocado as frutas e legumes em segundo plano.


A movida noturna

O lusco-fusco da noite do Porto ganhou nova vida . Festas, discotecas, copos e música mudaram-se da Boavista e Matosinhos para a Baixa e aqui se continuam a multiplicar os bares. Gente de todas as gerações e nacionalidades deambulam pelos Leões, zona do clássico Piolho, Rua Galeria de Paris, Pç. Filipa de Vilhena, Rua Passos Manuel e Pç. dos Poveiros. Um triângulo noturno com ofertas para todos os gostos. Na noite do Porto há de tudo: das noites culturais e avant-garde dos Maus Hábitos aos concertos no Plano B e Pitch, da Casa do Livro ao Baixaria, do revivalista Candelabro ao trendy Fé-Wine & Club, até mesmo às discotecas (a mais recente é a Olympia Club). Não faltam bares temáticos de champanhe, gin, caipirinhas, poncha e ginginha, e cocktails. Há já quem venha de fora para viver esta noite que, dizem, rivaliza com muitas das maiores cidades europeias.


A pronúncia do Norte

No Porto, o léxico é outro mas talvez seja esse também um dos segredos da distinção da cidade. Aqui, o café ainda pode ser um cimbalino, um refogado pode chamar-se estrugido, um cabide pode ser, afinal, uma cruzeta. A fonética portuense, a troca dos Bs pelos Vs, os palavrões ditos muitas vezes inocentemente e, acima de tudo, a forma de receber quem chega, tornam os portuenses dos mais acolhedores da Europa.


O Douro e a ligação ao mar

Tem uma geografia privilegiada, entre o rio e o mar, garante de imagens arrebatadoras. As praias, pequenas e rochosas, oferecem o dramatismo das ondas e a pérgula da Foz mantém o encanto de outros tempos. Recentemente, o cais da Ribeira foi incluído numa lista das mais belas ruas do mundo, pela revista Condé Nast Traveler, com a sua "caótica ordem de azulejos e roupa estendida". O turismo tem aproveitado essa condição, com várias empresas a fazerem cruzeiros no Douro, utilizando desde barcos rabelos a modernos iates. Até ao final do ano, deverá ainda ser inaugurado o novo terminal de cruzeiros marítimos, em Leixões, que promete aumentar o tráfego marítimo e trazer nova vaga de visitantes.


A arquitetura

Os roteiros para amantes de arquitetura são inevitáveis numa cidade que acolhe dois galardoados pelo prémio Pritzker, o Nobel da arquitetura: Álvaro Siza Vieira e Eduardo Souto Moura, cada um com obras de relevo na cidade e arredores. O primeiro, autor do Museu de Serralves, da requalificação da Avenida dos Aliados e, dando um salto a Leça da Palmeira, da Piscina das Marés e da Casa de Chá da Boa Nova. O segundo, da Casa das Artes ou do metro do Porto.
Mas existem outros grandes arquitetos que deixaram a sua assinatura na cidade e é inevitável falar de Nicolau Nasoni. Desde logo, pelo ex-libris do barroco, a Torre dos Clérigos e a sua igreja, mas também pela Igreja da Misericórdia, a Casa e Parque da Prelada e o Palácio do Freixo. Até na arquitetura paisagística há exemplos notáveis, como o do Parque da Cidade , assinado por Sidónio Pardal.


Os gigantes

A Casa da Música, concebida pelo arquiteto holandês Rem Koolhaas, tornou-se um dos grandes pólos de atração do Porto. O "meteorito" da Boavista, como já lhe chamaram (pelas linhas incomuns), soube congregar na sua programação diferentes sonoridades e, assim, atrair públicos distintos. Outro dos pilares culturais da cidade (e do País) é a Fundação de Serralves. O Museu de Arte Contemporânea, concebido por Siza Vieira, conseguiu inserir-se no circuito internacional com a apresentação de exposições temporárias de artistas de referência. A visita não ficará completa sem um salto ao imenso e belíssimo parque e à Casa de Serralves original, em estilo art déco.


Os cafés históricos

Alguns, como o Magestic (1921) e o Guarany (1933), têm destaques obrigatórios nos guias turísticos, conservando a atmosfera das primeiras décadas do séc. XX. Outros poderão não exibir espelhos de cristal, tampos de mármore, tetos de gesso trabalhados ou funcionários fardados a rigor, mas continuam a fazer parte da história e da vida da cidade, como o Âncora d'Ouro (mais conhecido por Piolho, associado à comunidade estudantil) ou o Ceuta (ainda com mesas de bilhar e de snooker na cave).


Comércio trendy

Nos últimos anos, o comércio do Porto também mudou a imagem. Criouse o Centro Comercial Bombarda, na artéria com o mesmo nome, com lojas alternativas a apostar em produtos diferenciados. Houve a transformação da antiga Praça Lisboa em Passeio dos Clérigos, com uma rua de comércio atrativo, onde se incluem marcas como a Fly London, Hoss ou Diesel.
Importaram-se lojas-conceito como A Vida Portuguesa, decidida a ressuscitar artigos de outros tempos. Reuniram-se no mesmo espaço projetos de estilistas, artistas e designers, como é o caso da Muuda e do Artes em Partes, ambos na Rua do Rosário.


Cultura e festa

O S. João continua a ser a festa rainha do Porto, com cerca de um milhão de visitantes.
Mas outros grandes eventos são de marcação obrigatória no calendário. O Primavera Sound tem feito a diferença, não só no cartaz, mas nas experiências proporcionadas por um festival de música, nomeadamente, ao fixar-se no Parque da Cidade, em harmonioso convívio com a natureza. A terceira edição decorre de 5 a 7 de junho, e exibe no cartaz nomes como Ty Segall, Caetano Veloso, The National, Kendrick Lamar e St. Vincent. Também o Serralves em Festa tem já data marcada, de 31 de maio a 1 de junho. Ao longo dos seus oito anos de vida, o evento somou cerca de 800 mil visitantes (dos quais mais de 100 mil foram estrangeiros) e cumpriu o propósito de abrir a Fundação à comunidade, com atividades e espetáculos para todas as idades. Ainda sem continuidade garantida está o Circuito da Boavista ultimamente dividido em dois fins de semana, onde sobressaem o Grande Prémio Histórico do Porto e o Campeonato Mundial de Carros de Turismo.


O Porto Património

Casos como a Estação de S. Bento , com os seus painéis de azulejo, e a Livraria Lello, de fachada rendilhada e escadaria ornamental, são referências indispensáveis da cidade e têm lugar garantido nas listas feitas pela imprensa internacional das mais belas do mundo na sua categoria. Desde as igrejas imponentes, como a do Carmo (de estilo barroco/ rococó) e a de S. Francisco (um exemplar gótico) ao Palácio da Bolsa e à Torre dos Clérigos, o Porto tem no património um grande motivo de orgulho. O centro histórico está, aliás, classificado pela Unesco como património da Humanidade.


A qualidade do alojamento

A oferta de alojamento tem registado um crescimento enorme , no Porto (de 2009 para 2012, foi de 33%), em resposta ao aumento de dormidas (de 14%, entre 2013 e o ano transato). A quantidade foi acompanhada pela qualidade. Uma consulta ao site de reservas Booking revela dezenas de hotéis, hostels, guesthouses e apartamentos turísticos com ótimas classificações. Espreitem-se as fotografias e fique-se encantado com a reabilitação de prédios antigos (como a do hotel Carrís Porto Ribeira), a decoração arrojada (como a assinada por Nini Andrade Silva, no Hotel Teatro) e a adaptação de edifícios históricos (é o caso da pousada do Palácio do Freixo). Os hostels do Porto têm, aliás, ficado entre os melhores do mundo (segundo o portal Hostelworld), como o Yes! (nos de média dimensão) e o Tattva Design (de grande dimensão).


Aeroporto e Metro premiados

Na semana passada, o aeroporto Francisco Sá Carneiro voltou a ser distinguido pelo ACI (conselho internacional de aeroportos) como um dos melhores da Europa. Amplo, bonito, moderno, com bons acessos e transportes, estas são algumas das qualidades normalmente apontadas pelos passageiros.
E estes chegam em cada vez maior número, graças às inúmeras ligações low cost.
Mas a cidade tem outras boas portas de entrada, como o Metro do Porto, projetado por Souto Moura, com várias distinções internacionais. O último prémio, em 2013, foi o Veronica Rudge Green Prize, valorizando o design urbano e a sua inserção na cidade.


Alfarrabistas

A cidade mantém uma forte cultura de alfarrabistas, com exemplares de nota espalhados pela Baixa, como a Livraria Académica, na Rua dos Mártires da Liberdade, a Chaminé da Mota, na Rua das Flores, ou a Moreira da Costa, na Rua do Aviz. Com proprietários letrados e dedicados, de inexcedíveis cuidados com as prateleiras repletas de relíquias, são de visita obrigatória.