O escândalo promete abalar toda a vida financeira e política de Itália. O Monte dei Paschi di Siena (MPS), terceiro maior banco do país e o mais antigo do mundo fundado em 1472, encontra-se no centro da polémica por estar à beira da falência e ir receber 3.900 milhões de euros de verbas públicas. Isto, depois dos seus responsáveis terem alegadamente cometido várias irregularidades, nos últimos anos, incluindo falsificação contabilística, cobrança de comissões ilegais, repatriação de capitais evadidos ao fisco e, claro, a atribuição indevida de bónus aos gestores.

O caso já levou à demissão de Giuseppe Mussari, presidente da influente Associação Bancária Italiana e antigo administrador do MPS, e o próprio presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, foi a Roma, na última terça-feira, 29, para discutir o assunto com o ministro das Finanças, Vittorio Grilli. O caso embaraça não apenas o Governo de Mario Monti mas sobretudo o centro-esquerda, no momento em que o país já está em pré-campanha para as legislativas antecipadas de 24 e 25 de fevereiro. É que o principal acionista do MPS é uma fundação da Câmara de Siena, controlada, há décadas, por figuras agora ligadas ao Partido Democrata, formação que sucedeu ao Partido Comunista.

O escândalo ameaça também o Vaticano e o banco Santander.