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Os porcos doentes

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A zona euro está mergulhada num ciclo vicioso que arrastará os países para a falência em massa.

A crise da moeda única está a entrar no seu quarto ano de história e nem os mais otimistas conseguem vislumbrar o seu fim. No início da epopeia era só a crise da dívida grega, mas logo os mercados especulativos se viraram para outras paragens, como Portugal, Irlanda, Itália e Espanha, dando origem ao que se passou a designar por PIIGS, nos países anglo-saxónicos. Com a entrada do Chipre de da Eslovénia para este clube, o acrónimo teve de ser aumentado para SIC(K)PIGS, ou seja, porcos doentes.

Penso que muito brevemente será necessário acrescentar mais vogais, pois se a Europa continuar neste caminho desastroso, outros países necessitarão de ser intervencionados, pois os mercados financeiros são como os abutres, não se importando com o sabor da carne.

A Europa sem uma união fiscal e bancária jamais conseguirá sair desta crise e sem isso a união monetária não funciona. A falha redundante em políticas cada vez mais radicalizadas continuam a agravar a crise de alguns países e a arrastar outros para o centro do turbilhão financeiro.

A zona euro está mergulhada num ciclo vicioso que arrastará os países para a falência em massa. O BCE estabelece uma única política para os 17 membros, mas as realidades dos países são completamente distintas, nomeadamente os salários, onde nos países do norte são mais elevados. Desta forma os países do sul são empurrados para uma economia com pouco dinheiro, economias esquecidas, tudo em nome da inflação. O euro transformou-se num pacto suicida de austeridade, que tem conduzido ao desastre, pois as dividas dos países aumentaram, pelo fato de reduzirem mais o crescimento do que os custos com os empréstimos.

Por outro lado, os países do sul estão a ser empurrados para a depressão e os do norte para a recessão, uma vez que metade do comércio da zona euro é feita entre os seus membros. Assim, como a retoma dos países do sul depende nas exportações, estes países vão continuar a cavar o seu buraco ainda mais fundo.

As políticas económicas são desenhadas pelo bloco do norte da Europa, que até agora apenas tem tomado medidas para evitar uma hecatombe, baseadas no controlo da inflação. Mas a pressão que está a ser feita nos países do bloco do sul estrategicamente, poderá fazer com que os países do sul cheguem à conclusão que não existe qualquer esperança de recuperação no interior da zona euro. Nessa altura, a Europa não necessitará de mais acrónimos, para tristeza dos países anglo-saxónicos.