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O guionista da reforma do Estado

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Os guiões têm guionistas.O guião da reforma do Estado teve, e tem, um guionista que se chama Paulo Portas.

A génese deste guião foi morosa, foram muitos os meses que decorreram desde que foi anunciado até que, finalmente, foi apresentado, e parece ser resultado de uma disputa surda entre o primeiro-ministro e o seu vice, em que o PM lembrava de tempos a tempos, sempre através da comunicação social para todos ouvirem, como que dizendo "comprometeste-te em elaborar um guião da reforma do estado, agora fá-lo", ou anunciava prazos publicamente, para amarrar PP ao compromisso assumido e lembrar a opinião pública que ainda não o tinha cumprido.Até parece que ouvíamos os pensamentos venenosos  "eh. eh, eh, comprometeste-te e agora não és capaz...", "então esse guião nunca mais sai?".Mas o guião lá apareceu e, pasme-se, PP assumiu a liderança do Governo deste país. O PM não assumiu o guião como também lhe pertencendo, aliás fez questão de dizer que as reformas já vinham sendo feitas, ou seja não era necessário guião nenhum, e passou para os bastidores, "acinzentou-se", dando as luzes da ribalta a PP que agora assume o papel de negociador da reforma do Estado com os Partidos e restantes parceiros sociais.Como estratega político o PM já havia dado provas da sua inépcia, mas estes episódios à volta do guião para a reforma do Estado, e o avantajar de posição dominante de PP, vieram reforçar a ideia de termos como PM um homem pouco preparado, com fraca inteligência emocional, sem competências em estratégia política, quer para a política propriamente dita quer para as questões politiqueiras e de manobras de bastidores, porque se pensava que colocar PP entre a espada e a parede, na questão do guião, poderia resultar em ganhos para a sua imagem e a sua posição de poder, enganou-se redondamente e foi PP que teve a oportunidade de emergir de toda a situação como figura líder.Temos, então, um PM que nos faz lembrar uma figura que se procura esconder nas sombras, que permite que o parceiro de coligação de um Partido menor ganhe protagonismo e comece a preparar, desde já, a sua campanha eleitoral, que parece querer-nos gritar "Tirem-me deste filme!" e a quem cada vez cai mais cabelo.Podendo-se interpretar esta aceleração da calvície como uma manifestação psicossomática de toda a tensão e mal-estar que, por certo, sente.