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O acordo secreto PDS/CDS e PS

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A arte está em que este governo (vice)chefiado por Paulo Portas, além de não governar, faça a troika pensar que existe uma férrea oposição política, e que tem o osso dos quase seis mil milhões de euros atravessados na garganta.

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O acordo secreto PDS/CDS e PS

 

Por: Gil Teixeira

Advogado

 

A meio da actual legislatura, efeitos do estio(?), os portugueses foram confrontados com uma situação aparentemente insólita, mas clara como a água para quem esteja minimamente atento ao saltitar dos políticos vestidos de calções, ou agarotados como agora se diz, ou com as calças dos seus paizinhos.

 

O que aconteceu de facto?

 

Um acordo secreto não pode ser revelado, e tudo o que se revelar será sempre negado, e se assim não fosse não seria secreto...

 

Revelemos no entanto o segredo.

 

O segredo é que não existe, não se tratava de conseguir nenhum acordo, mas de uma encenação para troika ver.

 

O comunicado de Cavaco Silva no início da crise ou amuo político permitia concluir que aceitava a composição do "novo" governo, mas acenou ao Partido Socialista, em vista do almejado acordo, negociado por um intermediário, depois observador, enquanto não empossava os novos ministros. Uma estratégia que todos sabiam que não obteria quaisquer resultados.

 

Todos os governos decorrentes de eleições democráticas são de salvação nacional. Sendo de outra forma estamos a dizer que o governo actual é uma desgraça nacional. Ademais um governo que integre todos os partidos é um governo da União Nacional.

 

Poderá até dizer-se que Cavaco Silva antes de aceitar o novo (vice)primeiro-ministro, Paulo Portas, quis colocar um baraço à volta do pescoço de Egas Moniz, perdão, António José Seguro, ofertando-lhe um ano de governo, traduzindo, a possibilidade de eleições antecipadas um ano.

 

Efectivamente Cavaco Silva cometeu vários deslizes, o maior foi ter explicitado a sua posição através dos media, quando, neste caso, bastava um referência genérica, fechada, de cariz positivista, indicando um prazo para que os partidos encontrassem a melhor solução para o país, dentro do Parlamento, como bem refere o Prof. Luis Menezes de Leitão, no seu Syntagma

 

Acontece que o presidente da república quis apagar o fogo mas com gasolina. A referência a um mediador, depois observador, esvaziou a sua função de garante do funcionamento das instituições.

 

O afastamento do "PCP", "BE", e "Verdes", é algo inconcebível, e menos no cargo que desempenha.

 

Associou o eventual desacordo com a troika ao dilúvio, e o seu nome a Noé. Ter admitido encurtar o prazo da legislatura é também inaceitável.

 

Estes foram as disciplinas onde Noé, perdão, Cavaco Silva falhou no seu primeiro exame presidencial.

 

Acreditamos que não o tenha feito intencionalmente, mas, no mínimo, como se disse, revela inabilidade política.

 

Qual foi então o final desta tragi-comédia?

 

Um final feliz. Cavaco é amigo. Finalmente chegou-se a acordo sobre a salvação nacional, o acordo que ninguém queria, inexistindo pura e simplesmente o acordo.

 

Venceu a troika portuguesa, capitaneada por Paulo Portas, e tendo como mestres de cerimónias Coelho e Seguro. Aliás o povo, à porta dos Jerónimos, já tinha saudado Cavaco, Portas e Coelho por este inexistente acordo.

 

Toda a gente ficou a ganhar, e tudo de bom se vai passar com este governo uma vez que não se trata de um governo mas de uma (boa) agência do governo da madame Merkel.

 

Concorde-se que tratando-se o (des)governo de uma agência do governo da tia Merkel a opção de Passos Coelho em fazer-se substituir-se por Paulo Portas não foi má. Vamos todos desgovernando, sendo que a outra opção, outro (des)governo de António Seguro seria outra desgraça.

 

Assim Paulo Portas continua com o Coelho metido na cartola e a (vice)chefiar o governo.

 

No caso deve dizer-se que Paulo Portas ainda é o melhor (vice)primeiro-ministro desta "AD".

 

A arte está em que este governo (vice)chefiado por Paulo Portas, além de não governar, faça a troika pensar que existe uma férrea oposição política, e que tem o osso dos quase seis mil milhões de euros atravessados na garganta.

 

Seguro não perde as antecipadas eleições legislativas, e fica bem na fotografia. O velho Soares relaxa.

 

A martirizada classe média tem a vida um pedacinho mais facilitada, embora os homens de luto do FMI tenham ficado com a deles um bocadinho mais complicada.

 

O PSD faz um discurso matreiro com o investimento e a economia das propostas do (des)acordo do PS.

 

O Bloco continua bloqueado por bicefalia.

 

O PCP ri de mansinho...

 

Menos que uma ópera bufa, mas uma autêntica telenovela mexicana. O povo revelou mais uma vez que é sereno, era só fumaça. No futuro aconselha-se mais cuidado com os charros (dos) políticos.

 

Gil Teixeira

Advogado

 

 

 

 

 

 

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