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O investimento responsável e a banca sustentável serão uma realidade

Sofia Santos

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Vivemos um período estranho, no qual a população em geral não acredita nas boas intenções das empresas e dos bancos

Com a Cimeira Rio + 20, que teve lugar no Rio de Janeiro em 2012, tornou-se claro que existe um conjunto significativo de incertezas que torna muito difícil obter compromissos específicos entre um número alargado de países. Mesmo assim, é importante sublinhar que alguns compromissos foram conquistados e que terão impacto na forma como as o dinheiro irá circular, nomeadamente:



  • Cinco bolsas de valores - NASDAQ OMX, BM&FBOVESPA, a Bolsa de Joanesburgo (JSE), a Bolsa de Istambul (ISE) e a Bolsa do Egito (EGX) - anunciaram um compromisso para promover um investimento sustentável e de longo prazo nos seus mercados. Estas bolsas, com mais de 4600 empresas cotadas em mercados desenvolvidos e emergentes, comprometeram-se, voluntariamente, a trabalhar com investidores, empresas e reguladores, na promoção do investimento sustentável de longo prazo e a melhorar a divulgação e a performance ambiental, social e de governança corporativa nas empresas cotadas nos seus índices. Esta medida irá promover a inclusão das questões ambientais e sociais nos relatórios anuais das empresas em causa.
  • Trinta e nove bancos, investidores e seguradoras de países como o Botsuana, as Filipinas, a África do Sul ou o Reino Unido assinaram a denominada Declaração do Capital Natural. Nesta declaração, é assumido que muitas instituições financeiras "não compreendem suficientemente, não se responsabilizam e, por isso, não valorizam os riscos e oportunidades relacionados com o capital natural nos seus produtos e serviços financeiros (empréstimos, investimentos e produtos de seguros) nem nas suas cadeias de fornecimento". Desta forma, os signatários do documento estão empenhados em "desenvolver metodologias que possam integrar considerações relativas ao capital natural nos processos de decisão de todos os produtos e serviços financeiros - incluindo os empréstimos, os investimentos e as políticas de seguros".


Estes dois compromissos podem ser encarados como dois bons resultados saídos do Rio +20, na medida em que podem constituir forças fortes para a promoção do desenvolvimento de melhores produtos e serviços ambientais. Na verdade, se o capital natural - ou as questões ambientais - fosse integrado nos processos de tomada de decisão de todos os bancos, o fluxo de capital estaria, assim, associado à utilização dos recursos naturais, bem como aos seus riscos, o que implicaria o desenvolvimento de padrões de produção e consumo mais sustentáveis.



Todavia e por outro lado, a BankTrack, uma das principais organizações não-governamentais dedicada à análise do impacto social e ambiental dos empréstimos concedidos por bancos em todo o mundo, divulgou um comunicado no qual é possível ler-se que "o BankTrack considera a Declaração do Capital Natural (...) uma resposta falsa e perturbadora do setor financeiro à crise ecológica profunda da atualidade (...). Em vez do lançamento de uma iniciativa voluntária e vaga, sem qualquer impacto imediato discernível nas decisões de investimento atuais, exortamos o setor financeiro a retirar-se do investimento de certos projetos e a adotar regras estritas para todas as atividades empresariais que causem destruição na natureza, no clima, no ambiente e nas populações e que coloque todo o seu peso na promoção de investimentos que ajudem a preservar, proteger e a restaurar a capacidade da Terra em gerar vida".



Não há dúvida de que vivemos um período estranho, no qual a população em geral não acredita nas boas intenções das empresas e dos bancos, estando, ao invés, expectante por ações concretas e explícitas.