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Clima e dinheiros....

Francisco Ferreira

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O economista inglês Nicholas Stern, em 2006, contabilizou os custos da inação em relação às alterações climáticas e facilmente ficámos a perceber que os impactes nos sairão muito caros já e no futuro

Na reunião anual da Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas que terminou no sábado, dia 8 de Dezembro, e em que participei representando a Quercus, um conjunto de decisões chamadas de "pacote de Doha" acabariam por ser tomadas após horas e horas de negociações, incluindo uma noite sem dormir já na parte final.

Se houve muitos aspetos em discussão, incluindo a decisão de prolongar o Protocolo de Quioto até final de 2020 que foram importantes, o financiamento e a responsabilidade financeira sobre perdas e danos associados às alterações climáticas foram duas das vertentes mais críticas da negociação. Infelizmente, e com a crise económica a pesar em diversos países desenvolvidos, não foi possível estabelecer metas intermédias para a partir de 2020 se garantir 100 mil milhões de dólares, por ano, para o Fundo Climático Verde, destinado à adaptação e também à mitigação, para além do valor inicial até ao final de 2012, de 30 mil milhões de dólares, ainda estar longe de ser atingido.

A outra matéria prende-se com a necessidade de reforçar a cooperação internacional e o conhecimento para entender e reduzir perdas e danos associados aos efeitos adversos da mudança do clima. O estabelecimento de um programa de trabalho para lidar com perdas e danos associados aos impactes das mudanças climáticas nos países em desenvolvimento -  que são particularmente vulneráveis aos efeitos adversos da mudança do clima - é um assunto crucial, a que os Estados Unidos se opuseram, por considerarem que poderá ter custos elevadíssimos para os países mais responsáveis pelas alterações climáticas. Isto é, os que historicamente contribuíram com mais emissões de gases com efeito de estufa.



O economista inglês Nicholas Stern em 2006, contabilizou os custos da inação em relação às alterações climáticas e facilmente ficámos a perceber que os impactes nos sairão muito caros já e no futuro. O processo à escala mundial de decisão na área do clima é porém muito vago e estava na altura de aumentar a ambição, mas não houve mudanças políticas profundas. É preciso trabalhar para as populações e não para os poluidores. De Doha não há cortes significativos nas emissões e, como se disse, não se vê o dinheiro. É preciso mobilizar cada vez mais a sociedade a os políticos para encarar, mesmo em tempos difíceis, as soluções e a ajuda que temos de implementar para minimizar os efeitos das alterações climáticas.