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Quantos planetas mais iremos precisar?

Angela Morgado

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A região do Mediterrâneo acumula um défice ecológico há mais de 50 anos, com a sua pegada ecológica constantemente a exceder a sua biocapacidade

Segundo o mais recente relatório da Global Footprint Network, que tem o apoio da WWF Mediterrâneo e da UNESCO, a região do Mediterrâneo acumula um défice ecológico há mais de 50 anos, com a sua pegada ecológica constantemente a exceder a sua biocapacidade.



De 1961 a 2008, a Pegada Ecológica per capita do Mediterrâneo cresceu 52% (de 2,1 para 3,1 hectares globais (gha) - unidade de área usada para definir a pegada ecológica e a capacidade biológica de nações), sobretudo pelo aumento de 185% no componente Pegada de Carbono.



Os constrangimentos ecológicos da região têm obrigado a que o crescimento económico tenha dependido cada vez mais da importação de biocapacidade. O défice ecológico tornou a estabilidade económica da região e dos países que a compõe altamente dependentes da disponibilidade de saudáveis ativos ecológicos a nível global, e da capacidade de pagar por esses ativos.

    

Neste relatório destaca-se também que Portugal apresenta uma tendência contrária aos demais países da região. Portugal é o único país do Mediterrâneo que diminuiu o seu défice ecológico nos últimos anos (uma queda de 18% entre 1998 e 2008). Ainda assim, o défice per capita do país (2,8 gha) continua a ser superior à média regional (1,9 gha).



Apesar desta diminuição, a pegada ecológica derivada do consumo é de 4,1 gha. Os principais componentes da pegada ecológica de Portugal são a pegada de carbono, seguindo-se as pescas e a produção agrícola. De notar que as atividades comerciais significam 34% da Pegada Ecológica de Portugal o que indica um grau elevado de dependência de recursos e serviços ecológicos provenientes do exterior do país. Vários dos parceiros dos quais Portugal depende para importações estão também em processos de desenvolvimento o que, no futuro, vai causar elevados constrangimentos.



Do lado oposto, Portugal apresenta uma biocapacidade disponível de 1,3 gha; o principal componente desta biocapacidade é a floresta.



Desde 2008 que se têm destacado as debilidades estruturais da economia Portuguesa por diversos analistas, no entanto, o défice ecológico tem ficado à margem do discurso dos governantes e líderes de opinião.



Como poderão os países do Mediterrâneo, e Portugal em particular, lidar com esta questão? Escolher estratégias que invertam estas tendências de diminuição da oferta e de aumento da procura para proporcionar o bem-estar para a população parece ser o centro da questão.



A salvaguarda do capital natural do Mediterrâneo e de Portugal, em particular da nossa floresta, semeará sementes para economias sustentáveis no futuro. Economias sustentáveis, segurança e cultura de diálogo não serão conseguidas sem um ambiente saudável.





Saiba mais sobre o relatório da Global Footprint Network:



http://www.footprintnetwork.org/images/article_uploads/Mediterranean_report_FINAL.pdf