Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Aventura Creoula [4]: As espécies marinhas do mar algarvio

Aventura Creoula: 20 dias no mar

  • 333

Crónicas do fotojornalista Paulo Maria a bordo do Creoula na expedição científica M@rbis 2013

Faneca (Trisopterus luscus). A faneca é um peixe da família do bacalhau e, tal como este, possui 3 barbatanas dorsais e um barbilho na mandídula inferior.
1 / 21

Faneca (Trisopterus luscus). A faneca é um peixe da família do bacalhau e, tal como este, possui 3 barbatanas dorsais e um barbilho na mandídula inferior.

Peixe-cão (Bodianus scrofa). O peixe-cão apresenta dimorfismo sexual. Ou seja, fêmeas e machos exibem padrões distintos de coloração, tornando-se fácil a sua distinção.
2 / 21

Peixe-cão (Bodianus scrofa). O peixe-cão apresenta dimorfismo sexual. Ou seja, fêmeas e machos exibem padrões distintos de coloração, tornando-se fácil a sua distinção.

Mero (Epinephelus marginatus). O mero pertence à família das garoupas e pode atingir grandes dimensões. A sua carne, muito apreciada, e o carácter curioso tornam-no um alvo fácil para caçadores submarinos.
3 / 21

Mero (Epinephelus marginatus). O mero pertence à família das garoupas e pode atingir grandes dimensões. A sua carne, muito apreciada, e o carácter curioso tornam-no um alvo fácil para caçadores submarinos.

Ruivo (Trigloporus lastoviza). O ruivo ostenta barbatanas peitorais modificadas que se assemelham a asas. Quando nada expande-as, parecendo que voa.
4 / 21

Ruivo (Trigloporus lastoviza). O ruivo ostenta barbatanas peitorais modificadas que se assemelham a asas. Quando nada expande-as, parecendo que voa.

Peixe-verde (Thalassoma pavo). O peixe-verde é hermafrodita sequencial. Inicialmente começa por ser fêmea, invertendo o sexo a uma determinada altura da sua vida. Tal como o peixe-cão, também macho e fêmea exibem padrões distintos.
5 / 21

Peixe-verde (Thalassoma pavo). O peixe-verde é hermafrodita sequencial. Inicialmente começa por ser fêmea, invertendo o sexo a uma determinada altura da sua vida. Tal como o peixe-cão, também macho e fêmea exibem padrões distintos.

Tremelga (Torpedo torpedo). A tremelga possui órgãos que a permitem dar descargas eléctricas. É através deste método que consegue imobilizar as suas presas.
6 / 21

Tremelga (Torpedo torpedo). A tremelga possui órgãos que a permitem dar descargas eléctricas. É através deste método que consegue imobilizar as suas presas.

Canário-do-mar (Anthias anthias). Os canários-do-mar vivem em grupos numerosos, em que normalmente o maior indivíduo é o macho. Quando este morre, uma das fêmeas inverte o sexo, tomando o seu lugar.
7 / 21

Canário-do-mar (Anthias anthias). Os canários-do-mar vivem em grupos numerosos, em que normalmente o maior indivíduo é o macho. Quando este morre, uma das fêmeas inverte o sexo, tomando o seu lugar.

Peixe-balão (Canthigaster capistrata). O peixe-balão tem a capacidade de insuflar o seu corpo em situações de stress, iludindo assim os seus predadores.
8 / 21

Peixe-balão (Canthigaster capistrata). O peixe-balão tem a capacidade de insuflar o seu corpo em situações de stress, iludindo assim os seus predadores.

Anémonas-jóia (Corynactis viridis). As anémoas-jóia atingem pequenas dimensões mas em contrapartida apresentam cores variadas e deslumbrantes.
9 / 21

Anémonas-jóia (Corynactis viridis). As anémoas-jóia atingem pequenas dimensões mas em contrapartida apresentam cores variadas e deslumbrantes.

Sargo-legítimo (Diplodus sargus). O sargo-legítimo é uma das espécies mais comuns na costa Portuguesa e o seu valor comercial em lota torna-o um recurso importante.
10 / 21

Sargo-legítimo (Diplodus sargus). O sargo-legítimo é uma das espécies mais comuns na costa Portuguesa e o seu valor comercial em lota torna-o um recurso importante.

Alicia (Alicia mirabilis). A Alicia é uma espécie de anémona que possui células urticantes, o que desaconselha o seu manuseamento.
11 / 21

Alicia (Alicia mirabilis). A Alicia é uma espécie de anémona que possui células urticantes, o que desaconselha o seu manuseamento.

Caranguejo-eremita (Dardanus calidus). O caranguejo-eremita ocupa conchas de búzios. À medida que cresce, vai-se mudando para conchas maiores.
12 / 21

Caranguejo-eremita (Dardanus calidus). O caranguejo-eremita ocupa conchas de búzios. À medida que cresce, vai-se mudando para conchas maiores.

Nudibrânquio (Felimare villafranca). Os nudibrânquios apresentam cores fascinantes. Tal poderia torná-los vulneráveis a predadores, no entanto, as substâncias tóxicas que os constituem, tornam-nos alvos pouco apetecíveis.
13 / 21

Nudibrânquio (Felimare villafranca). Os nudibrânquios apresentam cores fascinantes. Tal poderia torná-los vulneráveis a predadores, no entanto, as substâncias tóxicas que os constituem, tornam-nos alvos pouco apetecíveis.

Peixe-lua (Mola mola). O peixe-lua é o maior peixe ósseo do mundo, podendo atingir mais de 3 metros.
14 / 21

Peixe-lua (Mola mola). O peixe-lua é o maior peixe ósseo do mundo, podendo atingir mais de 3 metros.

Peixe-aranha (Trachinus draco). O peixe-aranha possui espinhos venenosos na barbatana dorsal e na zona da cabeça.
15 / 21

Peixe-aranha (Trachinus draco). O peixe-aranha possui espinhos venenosos na barbatana dorsal e na zona da cabeça.

Esponja (Dysidea avara). As esponjas são animais marinhos dos quais frequentemente se extraem compostos com interesse para a indústria farmacológica e cosmética.
16 / 21

Esponja (Dysidea avara). As esponjas são animais marinhos dos quais frequentemente se extraem compostos com interesse para a indústria farmacológica e cosmética.

Atum (Thunnus thynnus). O atum é uma espécie que atinge valores astronómicos, especialmente no mercado japonês. Um atum adulto, com cerca de 300 kilogramas, pode ser vendido por mais de 1 milhão de euros.
17 / 21

Atum (Thunnus thynnus). O atum é uma espécie que atinge valores astronómicos, especialmente no mercado japonês. Um atum adulto, com cerca de 300 kilogramas, pode ser vendido por mais de 1 milhão de euros.

Verme-fogo (Hermodice carunculata).O verme-fogo é necrófago e um dos principais responsáveis pela decomposição de matéria orgânica oceânica. Possui também apêndices urticantes poderosos.
18 / 21

Verme-fogo (Hermodice carunculata).O verme-fogo é necrófago e um dos principais responsáveis pela decomposição de matéria orgânica oceânica. Possui também apêndices urticantes poderosos.

Moreia-preta (Muraena augusti). As moreias ostentam um ar ameaçador devido à sua imponente dentição. No entanto, são peixes pacíficos, desde que não se sintam ameaçados, mantendo a boca aberta apenas para facilitar a respiração.
19 / 21

Moreia-preta (Muraena augusti). As moreias ostentam um ar ameaçador devido à sua imponente dentição. No entanto, são peixes pacíficos, desde que não se sintam ameaçados, mantendo a boca aberta apenas para facilitar a respiração.

Polvo (Octopus vulgaris). O polvo é um molusco bastante comum na nossa costa. A sua inteligência é comparável à de um cão.
20 / 21

Polvo (Octopus vulgaris). O polvo é um molusco bastante comum na nossa costa. A sua inteligência é comparável à de um cão.

Camarão pistola (Alpheus macrocheles).
21 / 21

Camarão pistola (Alpheus macrocheles).

Será que a conhecemos? Esta é a pergunta que se impõe no que toca à biodiversidade marinha portuguesa. A bordo do Creoula a equipa de cientistas e biólogos marinhos que participam na campanha M@rBis/Algarve 2013 assume o desafio constante de procurar essa diversidades de espécies e, após cada mergulho, todas as amostras são catalogadas e fotografadas por mim.

O Rei D. Carlos lançou os primeiros dados sobre o conhecimento marinho nacional contribuindo de forma vital para o enriquecimento dos estudos do mar. Também o professor Luiz Saldanha o fez - através das suas ilustrações e conhecimentos científicos criou o guia "Fauna Submarina Atlântica", na década de oitenta. Este guia serviu-me de fonte inspiradora para a descoberta e entrosamento com o mar.

Nuno Vasco Rodrigues é um dos maiores especialistas nacionais das espécies que habitam os nossos mares. O jovem licenciado em biologia marinha e biotecnologia surpreende-me pela tranquilidade com que olha o mar, abalada apenas pela excitação quando identifica prontamente numa fotografia cinco espécies diferentes. Parecem-me, à primeira vista, "filhos do mesmo pai", mas Nuno distingue prontamente as suas características genéticas pelos pormenores de cada espécie. Apaixonado desde sempre pelo conhecimento do mar, desenvolve investigação em fauna marinha e é mestre em estudo integrado dos oceanos. Sabe de cor quem vive onde e quais as suas principais características. Desafiámo-lo a identificar e caracterizar as espécies mais emblemáticas dos mares do Algarve, que reúnam interesses comerciais ou que sejam mais comuns aos nossos olhos.

O "Guia de Espécies Submarinas de Portugal" foi criado por uma equipa de especialistas, encabeçado por Nuno Vasco Rodrigues. Trata-se de uma obra pioneira e completa que reúne informação preciosa sobre a identificação e conhecimento das espécies nacionais. Profusamente ilustrado com fotografias, este guia cobre todas as zonas de água onde existe vida: areia; vasa; rocha e coluna de água.

Portugal continental sofre uma influência Atlântica mas também Mediterrânica, o que contribui para a grande biodiversidade existente nas nossas águas. O projeto de numa nova edição criar uma obra mais alargada e renovada, acompanha este investigador a bordo do Creoula, sempre na expectativa de encontrar e registar em mergulho uma nova espécie nunca antes documentada.

"Pretende-se com esta obra, aumentar o conhecimento científico, divulgar a biodiversidade, promover uma consciência de sustentabilidade e reunir Informações importantes na definição de estratégias e planos futuros de preservação ambiental bem como criar uma reflexão das condições físico-químicas dos ecossistemas nacionais", conclui o investigador, enquanto partilha com os restantes investigadores uma imagem do peixe verde que habita agora as águas algarvias, sendo originário da Macaronésia e do Mediterrâneo.

Nuno trabalha na Flying Sharks, dedica-se a capturar em mergulho espécies para aquários públicos e instituições ligadas à investigação. Entre as encomendas mais complexas o investigador recorda os procedimentos descompressivos de uma captura de canários do mar que se encontravam a cinquenta metros e que progressivamente foram trazidos à superfície.

Reuni com a sua ajuda um leque de espécies recolhidas para estudo nesta expedição, que vos mostramos nas fotografias que acompanham esta crónica.

A surpresa maior surgiu quando me apresentaram, já nesta expedição, o camarão pistola. Até aqui eu só conhecia o camarão al ajillo, ou a tempura de camarão. Claro está que com comentários desta natureza a comunidade científica me persegue com olhar ameaçador controlando sempre se encaminho alguma das espécies mais apetecíveis para a cozinha do Creoula.

Refugio-me no laboratório para fotografar e filmar a atitude da espécie Alpheus  macrocheles, qual Lucky Luke dos mares que com o rápido movimento da sua pinça impõe respeito aos que o importunam. A fazer lembrar uma cena do bom, do mau e do vilão deixo-vos também um pequeno vídeo com as reações deste pequeno artrópode que mede apenas dois centímetros mas que dispara de forma impressionante a sua poderosa arma.