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Espécies na Antártida não encontram comida devido ao aquecimento global

Clima

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Ben Tullis [CC-BY-2.0 (http://creativecommons.org/licenses/by/2.0) ], Wikimedia Commons

Um estudo científico da Universidade de Coimbra conclui que os predadores naturais da Antártida, como o albatroz-de-cabeça-cinzenta, estão em perigo, porque não conseguem encontrar comida

Um estudo internacional realizado na Universidade de Coimbra e liderado pelo biólogo José Xavier concluiu que "as muito rápidas mudanças ambientais que se têm vindo a registar" na Antártida ameaçam a sobrevivência de predadores de topo, como é o caso do albatroz-de-cabeça-cinzenta (Thalassarche chrysostoma).

Outros animais como o lobo-marinho ou o pinguim imperador encontram-se na mesma situação. Estas espécies "não são capazes de encontrar alimento suficiente num ano em que o Oceano Antártico está anormalmente quente" o que faz com que as crias "morram de fome, pondo em risco a sobrevivência destes predadores", explica José Xavier.

O estudo mostrou que eles têm a capacidade de alterar a dieta, e podem até mudar as áreas onde procuram alimento. Porém, os albatrozes não estão a conseguir adaptar-se, como era suposto. Quando regressam à colónia, vindos da caça, as crias já morreram porque os progenitores demoraram demasiado a procurar alimento, cada vez mais escasso.

"O albatroz alimenta-se essencialmente de lulas e demora dois a três dias a procurar comida. Num ano "mau" muda das lulas para o camarão e passa a demorar até duas semanas", detalha o investigador.

A investigação expôs a falta de flexibilidade deste tipo de predadores na forma como se adaptam às alterações climáticas, algo que não se esperava. A situação coloca-os em risco de sobrevivência e revela como o aquecimento global do planeta se irá notar, em primeiro lugar, nas regiões mais frias.

A equipa  de cientistas propõe diversas medidas para resolver o problema: aumentar o número de estudos realizados, de modo a conhecer as implicações das alterações climáticas nas espécies; reduzir as quotas de pesca para evitar competição excessiva entre os pescadores e os animais e, por fim, diminuir a emissão de dióxido de carbono para a atmosfera.

O estudo resulta de dados relativos aos últimos 15 anos, sendo que o ano de 2000 foi o mais interessante de analisar, devido à elevada temperatura da água do Oceano Antártico. Financiada pela British Antarctic Survey e pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), a equipa contou com oito cientistas do Reino Unido, de França e da Alemanha.