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Eco-candidato?

Clima

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Larry Downing/REUTERS

Muitos ambientalistas são críticos do Presidente Obama. Mas Mitt Romney nem sequer sabe se as alterações climáticas resultam da ação do homem...

Energias alternativas como a eólica e a solar são muito boas, mas, infelizmente, "não se pode guiar um carro com um moinho em cima". A frase, de Mitt Romney, no princípio do ano, faz lembrar a célebre tirada das janelas dos aviões ("Quando há um fogo (.) não se consegue obter oxigénio, porque não abrem. Eu não sei porque é que elas não abrem. É um verdadeiro problema").



Trata-se, porém, de muito mais do que uma gaffe: simboliza o enfâse dado pelo candidato republicano às energias fósseis carvão e petróleo, o seu desprezo pelos regulamentos que limitam a emissão de dióxido de carbono e outros gases com efeito de estufa, as suas "dúvidas" sobre se as alterações climáticas estão a ser provocadas por ação do Homem. De facto e embora os ambientalistas sejam muito críticos das posições "eleitoralistas" de Barack Obama será difícil para qualquer americano que ponha a ecologia na sua lista de preocupações principais votar noutro candidato que não o democrata.



Se não, vejamos: Barack Obama reforçou o papel da Agência de Proteção do Ambiente (EPA), dando-lhe o poder de regular a emissão de gases com efeito de estufa. Romney fica a pouco menos de um passo de extinguir a instituição à qual promete cortar o orçamento, quadros e poderes, esvaziando-a de sentido.



No que diz respeito à exploração de petróleo e gás, Barack Obama aumentou muito o número de licenças para explorações offshore apesar do desastre do Golfo do México. E assistiu, indiferente, à difusão da polémica técnica de exploração de petróleo e gás por fraturação hidráulica, que poderá tornar os EUA no maior exportador energético do globo já no final desta década, mas é tudo menos querida dos ambientalistas.



Romney é ainda mais radical, propondo devolver aos Estados federados as competências para atribuição de licenças, o que provocaria um enorme relaxamento das exigências ambientais. Herdeiro do célebre slogan de Sarah Palin ("drill, baby, drill"), abriria à exploração petrolífera até o Parque Natural do Ártico, no Alasca.







O dado

18% foi quanto baixaram as importações norte-americanas de petróleo desde 2005, graças à polémica técnica de fracking (fraturação hidráulica), que pode contaminar os lençóis freáticos