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Um empurrãozinho para começar

Cidades e Consumo

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O espanhol Leo Lara, o britânico Ben Grech, e os portugueses Miguel Manso e Miguel Amaro (da esq. para a dir.) têm uma firma em Lisboa, com sede num prédio que acolhe mais 37 pequenas empresas de novas tecnologias

Gonçalo Rosa da Silva

A Startup Lisboa ajuda empresas de internet a dar os primeiros passos, oferecendo apoio e um escritório partilhado

Ben Grech, britânico de 24 anos, é um dos quatro sócios da empresa UniPlaces, um site de arrendamento de apartamentos para estudantes. "Estávamos em locais diferentes do mundo", conta. "O Miguel, um português, vivia nos EUA; o Mariano, argentino, na China; eu e o Leo, espanhol, no Reino Unido. Quando nos decidimos juntar no mesmo sítio, Lisboa pareceu uma excelente opção."



As empresas de net têm uma coisa em comum: pouco importa o local onde estão sediadas. Levando isso em conta, a capital portuguesa é bem mais atrativa do que a maioria das grandes cidades. Tem melhor clima do que Londres ou Berlim; a praia está a dois passos, ao contrário de Madrid ou Paris; e o custo de vida é mais baixo do que em Tóquio, Nova Iorque ou Milão (na verdade, do que em quase todas as metrópoles do mundo desenvolvido). A gastronomia, o facto de Lisboa estar na rota das low cost e a crónica simpatia com que os portugueses tratam os estrangeiros funcionam como cobertura de chocolate. E a Startup Lisboa é a cereja no topo.



A UniPlaces, que tem como mercados atuais Portugal e o Chile, com o Brasil já na mira, é uma de 38 companhias (que empregam 130 trabalhadores) hospedadas num edifício da Rua da Prata, na Baixa, cedido ao projeto Startup Lisboa - uma incubadora de empresas sem fins lucrativos, dirigida aos negócios da net, criada no final de 2011 pela Câmara Municipal, o Montepio Geral e o Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação. Cada firma paga apenas 150 a 200 euros por mês, com uma série de serviços incluídos: escritório, apoio jurídico e fiscal, sala de reuniões, refeitório, limpeza, luz, água, net, ar condicionado e acesso a investidores. Uma boa ajuda para empreendedores que se lançam à aventura.

 

NOVA INCUBADORA A CAMINHO



Mesmo em época de crise (ou talvez por causa dela, atendendo ao número crescente de desempregados que decidem criar o seu próprio emprego), a procura foi imensa. Desde fevereiro, a Startup Lisboa recebeu 370 candidaturas - quase dez vezes mais do que a capacidade disponível -, muitas delas estrangeiras. "Lisboa é uma cidade muito competitiva", elucida João Vasconcelos, diretor-executivo daquela incubadora.

"Temos um inglês a viver num T3 em Alfama, com vista de rio, pelo preço de um T1 a meia hora de comboio do centro de Londres." Além de que "é possível contratar bons programadores em Portugal por preços que pequenas empresas como estas conseguem pagar". A experiência correu tão bem que a autarquia já se prepara para aumentar o projeto, com a perspetiva de alargar as candidaturas a empresas de outros setores, como turismo, design e comércio.



Mais do que tudo o resto, Ben Grech aponta a partilha do mesmo espaço com outros jovens empreendedores como a maior vantagem. "Trocamos experiências e aprendemos imenso uns com os outros. O clima e as praias são muito bons para os tempos livres, mas, afinal, nós estamos aqui para trabalhar."

[NÚMERO]

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Empresas sediadas no edifício da Startup Lisboa

 

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PROJETO UMA CIDADE PERFEITA

A partir de um estudo da Inteli, que analisou 50 projetos municipais exemplares, a VISÃO escolheu cinco para dar a conhecer nas páginas da revista, durante o mês de agosto, um por área analisada: sustentabilidade, inclusão social, governação, inovação e conectividade. Os leitores podem conhecer todos os projetos selecionados das 25 cidades estudadas e, depois, votar no seu favorito, a partir de 1 de Setembro.

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