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Quinoa, a semente com super poderes

Cidades e Consumo

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O "ouro" dos Andes. As plantações de quinoa estão a deixar de ser um exlusivo das paisagens americanas

Mono Andes

A quinoa, um super alimento popular entre vegetarianos e celíacos, tem enorme riqueza nutricional e está a ajudar a acabar com a fome no mundo. COM RECEITA

Quando o interplanetário chef Jamie Oliver começa a introduzir nas suas receitas um ingrediente chamado quinoa é porque este cereal - na verdade não se trata um cereal, mas já lá vamos - já rasgou definitivamente a fronteira dos Andes e do universo vegetariano para a generalidade das bocas do mundo.

Mais ainda quando a FAO, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, decretou 2013 como Ano Internacional da Quinoa. Salomón Salcedo, da FAO, justifica a distinção: "É um reconhecimento aos povos andinos que a preservaram como alimento para as gerações presentes e futuras, graças aos seus conhecimentos tradicionais e práticas de vida em harmonia com a natureza." Pretende-se com esta celebração chamar a atenção para o papel da quinoa na biodiversidade e o seu enorme valor nutricional na erradicação da pobreza.

 

 

 

Preços nas alturas

Esta semente possui "14% de proteínas, mais do dobro das que existem no trigo", atesta o médico Pedro Lobo do Vale. Também é rica em aminoácidos essenciais, que só se encontram na carne, peixe, ovos, leite ou soja. Há ainda a somar a sua riqueza em vitaminas (A, B6, B1, E e C), minerais (cálcio, fósforo, cobre, magnésio, cloro e zinco) e ácidos gordos.

Além disto, este superalimento adapta-se a diversos climas, desde temperaturas negativas a calor tórrido. E tanto se dá bem ao nível do mar como a quatro mil metros de altitude. Por isso, está hoje a ser introduzido em vários pontos do planeta - sobretudo os mais pobres, onde a fome continua a matar.

Apesar de ser a base da alimentação andina há mais de sete mil anos e de gozar de ótima reputação entre os vegetarianos ou celíacos (intolerantes aos glúten), a quinoa ainda não entrou na cultura europeia, a par com o arroz ou a massa. No entanto, nos últimos dez anos, tem vindo a ganhar popularidade e, claro, a subir de preço. Na década de 1980 a produção mundial, essencialmente localizada na América, rondava as 20 mil toneladas, hoje situa-se na casa das 100 mil. O valor de algumas variedades disparou 600 por cento.

Em Portugal, existe nas lojas de produtos naturais (ou nos cantos gourmet dos hipermercados) e o preço pode subir aos 12 euros o quilo, se for biológica. Já é possível encontrar pratos com esta semente nas ementas de restaurantes nacionais. É o caso da Cantina Lx, em Lisboa, ou do Água Moments, em Vilamoura, ambos a cargo do chef José Bengaló, onde atualmente se pode provar quinoa com caril de legumes.

"Adapta-se a quase todo o tipo de alimentos, em termos de absorção de molhos. Até fica bem com carne, como se fosse o nosso xarém", explica. Tanto pode estar presente num prato principal como numa sobremesa.

O chef destaca ainda a facilidade em trabalhá-la na cozinha: basta pô-la no dobro da água, como o arroz, e deixar cozer. Depois lavá-la, secá-la e comê-la rapidamente, para não ficar viscosa. Se ainda não provou, este é o ano para experimentar.

 

 

 

RECEITA: Fresca & doce

Uma salada nutritiva para seis pessoas, mesmo a calhar para os dias de verão

  • 1 chávena e meia de quinoa
  • 12 espargos
  • 2 chávenas de favinhas
  • 2 chávenas de ervilhas
  • 1 mão cheia de tomates cereja

Depois de cozer a quinoa e os vegetais, misture-os e tempere tudo com azeite, sumo de limão, xarope de agave a vinagre balsâmico. Acrescente sal e pimenta a gosto e decore com a salsa e a hortelã. Bom apetite!

FONTE: Guilt-Free Gourmet, Ed. Ryland Peters & Small, Reino Unido, 2012