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Burros: Por favor, salvem-nos!

Biodiversidade

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Excluído do presépio, está inserido em preocupações terapêuticas, turísticas, cosméticas - e quase em extinção

Foi nas suas andanças pelos campos mais remotos, em busca da nossa esquecida e tão esquiva fauna ibérica, que Paulo Caetano, autor e fotógrafo do álbum Alerta!! pelos Burros ( já nas livrarias), se deparou com estes animais. Ocorreu-lhe, então, dedicar um livro integralmente aos burros, mais uma raça em extinção.



"O número de burros diminuiu drasticamente, em Portugal, nos últimos 50 anos", comenta.



Não só devido ao confinamento do mundo rural, como às industrializações agrícolas. No Algarve, zona tradicional de burros, já praticamente não são avistados, e cada vez menos no Alentejo ou na região saloia... Só em Trás-os-Montes os encontrou em maior quantidade, ainda a serem usados como força de trabalho.

Curiosamente, também aqui eram menos maltratados: "As pessoas têm estimação por eles, cuidam-lhes dos cascos, uma burra grávida é poupada a trabalhos esforçados..." O desaparecimento dos burros só tem agora uma via para ser travado, alerta o autor.

 

 

A asinoterapia, com crianças ou jovens com deficiência. Como testemunhou Paulo Caetano, "os burros são mais pequenos, intimidam menos, mostram-se muito mais calmos do que os cavalos (nervosos e assustadiços)... O burro é pachorrento, extremamente inteligente, determinado, cauteloso e tem uma característica inexplicável: a empatia quase imediata com as pessoas.

Aliás, eles aproximam-se, procuram afagos, dão marradas com a cabeça para chamar a atenção..." Dantes, quando envelheciam, já sem préstimo para puxar carroças e arados, eram vendidos a ciganos, que os abatiam e vendiam a carne aos circos e ao zoo, para alimentar as feras.



Neste momento, estão em curso duas campanhas de angariação de fundos destinados a criar e ampliar asilos para "burros reformados". A asinoterapia, o ecoturismo e os passeios de burro são o único meio de salvar a raça. Isso e uma indústria de aproveitamento do leite de burra (há duas explorações em Portugal), para sabonetes e cosméticos. No seu livro, Paulo Caetano faz uma abordagem histórica sobre a longínqua convivência entre homem e burro desde os tempos de Cleópatra.

O Dado: 274 997

Quantidade de burros existentes no País, segundo os últimos Censos que os contabilizaram, em 1934. A partir daí, foi sempre a descer