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Andorinhas americanas têm asas mais pequenas para escapar a atropelamentos

Biodiversidade

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Steve Jurvetson [CC-BY-2.0 (http://creativecommons.org/licenses/by/2.0)], Wikimedia Commons

Com asas mais pequenas, as andorinhas-de-dorso-acanelado tornaram-se, ao longo dos últimos 30 anos, mais ágeis e rápidas, para poderem escapar aos atropelamentos

O comprimento médio das asas das andorinhas-de-dorso-acanelado (Petrochelidon Pyrrhonota) tem diminuído ao longo dos últimos anos. A conclusão é de de um grupo de investigadores americanos que recolheram, durante três décadas, vários exemplares da espécie, mortos por atropelamento, nas estradas de Nebraska, um estado situado no centro dos Estados Unidos da América (EUA).



A pesquisa, divulgada no jornal Current Biology, dá conta de que o número de pássaros mortos nas estradas sofreu uma redução constante entre 1982 e 2012. Por outro lado, os autores do estudo concluíram que a quantidade de ninhos construídos junto às estradas aumentou.



Para os investigadores, os atropelamentos poderão ter desencadeado um processo de 'selecção natural' nesta espécie de andorinhas. Com o encurtamento das asas, as aves tornam-se mais ágeis e rápidas, escapando mais facilmente aos carros que irrompem nas estradas, ao contrário das outras andorinhas que conservaram asas mais alongadas.



"Dada a dimensão da mortalidade que atinge algumas espécies, é provável que a 'seleção natural' favoreça estas andorinhas, aprendendo estas a evitar os veículos ou através de características que tornem esta espécie menos propensa a colidir com eles", explicaram os investigadores.



O mesmo estudo adianta ainda que morrem cerca de 80 milhões de pássaros todos os anos, na sequência de colisões com veículos, nos EUA.



Os investigadores apontaram o dedo aos invernos severos e às mudanças morfológicas nos insectos dos quais estas aves se alimentam, como possíveis causas das alterações identificadas na fisionomia destas andorinhas, ao longo das últimas décadas.