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A culpa (também) é das bermas

Biodiversidade

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Coruja das Torres

Wikimedica Commons - Luc Viatour/www.Lucnix.be

Uma equipa de biólogos portugueses descobriu o que está por detrás do atropelamento de algumas espécies de animais selvagens

Nem sempre o verde é amigo dos animais. Essa foi uma das conclusões de um estudo de investigadores do Centro de Biologia Ambiental da Universidade de Lisboa: a vegetação junto às bermas das autoestradas funciona como isco para muitas espécies de predadores, atraídas pelos roedores que vivem debaixo dos arbustos. Daí à tentativa de atravessar a estrada - e ao atropelamento - é um passo.

A equipa de cientistas, liderada por Clara Grilo, estudou a coruja-das-torres e da fuinha (duas das maiores vítimas dos automóveis) colocando transmissores em 11 animais de cada espécie e observando o seu comportamento, durante 16 meses, nas autoestradas A2 e A6.

Foi assim que se aperceberam que tanto a ave de rapina como o pequeno mamífero só evitam aproximar-se das autoestradas em períodos de tráfego intenso. Mas, ainda por cima, ambos são noturnos, pelo que os seus hábitos coincidem precisamente com os períodos em que há menos carros na estrada - o que, num aparente paradoxo, faz aumentar o perigo para estes animais.

Na maior parte do tempo, rondam o alcatrão sem grande medo, em busca das presas que se escondem na vegetação das bermas. Os investigadores propõem, por isso, que os arbustos sejam cortados regularmente e que a altura das bermas seja elevada nos locais mais críticos, para obrigar as corujas a voarem mais alto, evitando os automóveis. O estudo completo vai ser publicado amanhã, 6 de setembro, na publicação científica online PLOS ONE, uma organização internacional sem fins lucrativos que se dedica à divulgação de investigações em várias áreas da ciência.