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A Arrábida como nunca ninguém a viu

Biodiversidade

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A SIC transmite, no domingo, ao meio dia, um filme inédito sobre os segredos desta serra. Luís Quinta e Ricardo Guerreiro assinam Arrábida - Da Serra ao Mar, o primeiro grande filme de história natural português onde só os animais "falam"

Há prendas de Natal que por vezes só ficam prontas em cima da hora. No caso de Arrábida - Da Serra ao Mar, foi mesmo na madrugada do último 25 de dezembro que se deu por concluída a montagem da primeira longa-metragem sobre vida selvagem totalmente portuguesa.

Durante 50 minutos, Luís Quinta e Ricardo Guerreiro, dois conhecidos fotógrafos de natureza, contam as vidas de dezenas de espécies que habitam no Parque Natural da Serra da Arrábida, uma escolha óbvia, já que moram na Costa da Caparica e em Almada, respetivamente.

"Este filme foi um teste para outros projetos mais difíceis e ambiciosos que queremos fazer, como filmar a vida selvagem dos Açores, Madeira ou Gerês. Serviu como experiência porque era um sítio que conhecíamos bem e estava perto - dormíamos e comíamos em casa, só pagávamos a gasolina e algumas saídas de barco. Além disso, quisemos mostrar que perto de Lisboa há coisas para mostrar e a Arrábida é um sítio único e cativante. As pessoas vão ficar surpreendidas, porque vamos revelar uma serra desconhecida", conta o coautor Luís Quinta, 47 anos.

A maioria do filme que a SIC vai exibir no seu tradicional espaço dedicado aos documentários de vida selvagem, domingo, pelas 12h00, foi planeado e rodado durante o ano de 2012, mas Quinta já tinha algumas sequências que ao longo dos últimos quatro anos tinha gravado. Todo o projeto foi filmado, montado e sonorizado pelos dois fotógrafos, que até inventaram algum do material técnico necessário.

"Não tínhamos sequer uma pessoa para o som ou um produtor executivo. A sonoplastia foi feita por mim, a montagem pelo Ricardo". "Um documentário destes, feito por uma equipa multidisciplinar, custará à volta de 35 mil euros. Um documentário deste género, como o que a BBC gravou em Portugal, há uns três anos, sobre a cortiça [A Cortiça - Floresta numa garrafa] ficou orçado em 400 mil euros", revela Luís Quinta.

Sem apoio ou subsídios de qualquer estrutura pública o filme avançou. Vai revelar a história geológica e a vida natural de plantas e dezenas de animais - insetos, aves, mamíferos, répteis, moluscos (como um caracol nativo, com apenas 7 centímetros) - que habitam na serra e no mar desta área protegida por diversas leis e convenções nacionais e internacionais.

O objetivo, além da divulgação, é que esta primeira película sirva de montra ao trabalho que Luís Quinta e Ricardo Guerreiro pretendem realizar sobre os muitos tesouros selvagens do país: "Queremos trabalhar em Portugal, fazer trabalhos de fôlego sobre o país, mas sem apoios não há milagres. Deem-nos dinheiro e teremos trabalho para os próximos dez anos."

Como o Natal é quando um homem quiser, esperemos pela próxima prenda.