Chegaram na primeira quinzena de Julho os primeiros dez exemplares de Águia-pesqueira, Pandion haliaetus, que hão de iniciar o projeto de reintrodução, em Portugal, desta espécie de ave de rapina.

Tinham entre 4-6 semanas de vida quando foram recolhidas dos ninhos nas florestas de coníferas da Escandinávia (5 na Finlândia e 5 na Suécia), onde a população é estável e não corre perigo.

Vieram para Portugal por ser um país com condições de habitat muito favoráveis à espécie, devido à costa rochosa, onde se abrigam e à existência de zonas húmidas como estuários e albufeiras de barragens onde obtêm alimento.

Por agora, estão em gaiolas, na Herdade do Roncão, uma propriedade à beira da albufeira de Alqueva, para recuperarem da viagem de avião e se ambientarem à nova morada, mas em Agosto serão libertadas.

É suposto que as aves se adaptem a este novo meio ambiente e passem a entendê-lo como o seu local de nascimento. Assim, depois da migração de inverno rumo a África, pretende-se que regressem à zona alentejana para procriar, como fariam naturalmente se daqui fossem nativas.

A águia-pesqueira deixou de nidificar em território nacional em 1997, quando a fêmea do único casal existente morreu. Cinco anos mais tarde morreria o macho e, neste momento, só em viagens migratórias são avistadas por cá.

O projeto custa 640 mil euros financiados, nos próximos cinco anos, pela EDP e é coordenado pelo Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos.

Além destes promotores, associam-se a Sociedade Alentejana de Investimentos e Participações, dona do terreno onde estão as gaiolas, a TAP Portugal, que transportou os animais, a Empresa de Desenvolvimento e Infra-Estruturas do Alqueva e o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade.

 

Veja o vídeo da captura das aves numa reportagem da RTP