Primero facto: A Constituição dominicana proíbe o aborto. Segundo facto: uma adolescente com leucemia teve o tratamento adiado para evitar uma interrupção da gravidez. Terceiro facto: A jovem morreu ontem, sexta-feira. Estão lançados os dados para uma polémica que ultrapassa em muito as fronteiras do país caribenho.

A hesitação dos médicos, face à lei dominicana, levou a que a adolescente só começasse o tratamento de quimioterapia cerca de 20 dias depois de ter dado entrada no hospital. Nessa altura, a mãe, Rosa Hernandez, tentou convencer o corpo clínico e o governo a abrir uma exceção de modo a salvar a vida da filha: "Sei que o aborto é pecado... mas a saúde da minha filha está primeiro." 

Segundo o hospital, a rapariga, que estava grávida de 13 semanas, morreu de "complicações da doença". O seu corpo rejeitou uma transfusão de sangue e não respondeu positivamente à quimiogterapia. Na sexta-feira, sofreu um aborto, seguido de paragem cardíaca.