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Há (mais) vida em Vila de Rei

VISÃO Portugal

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Procuram qualidade de vida, uma casa melhor ou maior. Fogem do stresse e dos horários que impedem uma vivência familiar preenchida. Usufruem de uma rede social invejável. Por isso, a população de Vila de Rei aumentou, entre 2001 e 2011. Terceira reportagem VISÃO Portugal, uma parceria VISÃO/SIC. LEIA A REPORTAGEM NA ÍNTEGRA, VEJA O VÍDEO, A INFOGRAFIA E A GALERIA DE FOTOS

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    SÃO TOMENSES - Cláudia e Egidinha, na cozinha da antiga escola primária que lhes serve de casa
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    SÃO TOMENSES - Cláudia e Egidinha, na cozinha da antiga escola primária que lhes serve de casa

    DORMITÓRIO - Os seis rapazes dormem num quarto, as seis raparigas noutro
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    DORMITÓRIO - Os seis rapazes dormem num quarto, as seis raparigas noutro

    TELEMÓVEL - Todos os jovens são-tomenses têm telefone, mas o seu uso está proibido no quarto
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    TELEMÓVEL - Todos os jovens são-tomenses têm telefone, mas o seu uso está proibido no quarto

    SALA DE ESTUDO - Para estudar, rapazes e raparigas têm salas diferentes, para não se distraírem
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    SALA DE ESTUDO - Para estudar, rapazes e raparigas têm salas diferentes, para não se distraírem

    TESTE - De manhã, antes de saírem para as aulas, os rapazes preparam-se para o teste de matemática
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    TESTE - De manhã, antes de saírem para as aulas, os rapazes preparam-se para o teste de matemática

    CHEGADA - Às nove da manhã, os estudantes chegam à escola secundária de Vila de Rei
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    CHEGADA - Às nove da manhã, os estudantes chegam à escola secundária de Vila de Rei

    CARNE - Esparguete à bolonhesa é uma ementa recorrente, no jantar do «Gangue do Bacalhau»
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    CARNE - Esparguete à bolonhesa é uma ementa recorrente, no jantar do «Gangue do Bacalhau»

    REFEIÇÃO - Além do prato principal, haverá salada e uma sobremesa de maçã e gelado de nata
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    REFEIÇÃO - Além do prato principal, haverá salada e uma sobremesa de maçã e gelado de nata

    RITUAL - Desta vez, a tarefa de cozinhar coube a Zé, o primeiro a servir-se e a sentar-se à mesa
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    RITUAL - Desta vez, a tarefa de cozinhar coube a Zé, o primeiro a servir-se e a sentar-se à mesa

    COZINHA - É preciso um tacho de grandes proporções para cozinhar para todo o grupo de amigos
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    COZINHA - É preciso um tacho de grandes proporções para cozinhar para todo o grupo de amigos

    GRUPO - Os onze amigos que compõem o «Gangue do Bacalhau» brindam, no final da noite
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    GRUPO - Os onze amigos que compõem o «Gangue do Bacalhau» brindam, no final da noite

    LAGOSTAS - As raparigas de Vila de Rei, o «Grupo das Lagostas», costumam ir ao ginásio para se distraírem
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    LAGOSTAS - As raparigas de Vila de Rei, o «Grupo das Lagostas», costumam ir ao ginásio para se distraírem

    DANÇA - Step, funk ou hip-hop são alguns dos ritmos preferidos das jovens
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    DANÇA - Step, funk ou hip-hop são alguns dos ritmos preferidos das jovens

    AMOR - Tal como Sandra, em primeiro plano, outras «Lagostas» vieram, recentemente, para Vila de Rei
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    AMOR - Tal como Sandra, em primeiro plano, outras «Lagostas» vieram, recentemente, para Vila de Rei

    IDOSOS - No concelho de Vila de Rei, há 100 idosos para cada quatro jovens
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    IDOSOS - No concelho de Vila de Rei, há 100 idosos para cada quatro jovens

    BOLEIA - Todas as semanas, o autocarro da Câmara recolhe os mais velhos, nas aldeias isoladas, e leva-os à vila
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    BOLEIA - Todas as semanas, o autocarro da Câmara recolhe os mais velhos, nas aldeias isoladas, e leva-os à vila

    GRÁTIS - As viagens não são pagas e substituem-se aos transportes públicos inexistentes
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    GRÁTIS - As viagens não são pagas e substituem-se aos transportes públicos inexistentes

    MOTIVOS - O autocarro leva quem quiser ir ao banco, ao centro de saúde, às compras ou, simplesmente, passear
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    MOTIVOS - O autocarro leva quem quiser ir ao banco, ao centro de saúde, às compras ou, simplesmente, passear

    PEDRO E TÂNIA - O casal comprou à Câmara um terreno barato e construiu a casa dos seus sonhos
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    PEDRO E TÂNIA - O casal comprou à Câmara um terreno barato e construiu a casa dos seus sonhos

    XAVIER GOUVEIA - Aos 69 anos, o médico só regressou à terra que o viu nascer depois da reforma
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    XAVIER GOUVEIA - Aos 69 anos, o médico só regressou à terra que o viu nascer depois da reforma

    IRENE BARATA - Eleita em 1989, a presidente da Câmara de Vila de Rei vai cumprir seis mandatos
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    IRENE BARATA - Eleita em 1989, a presidente da Câmara de Vila de Rei vai cumprir seis mandatos

    "Nasci numa terra da Beira por acaso. Não tenho nada a ver com aquilo, não é feio nem bonito. É uma 'terra de pês', só deu padres e pedras, pinheiros e polícias. E, sobretudo, transpira subserviência. Tudo o que me cheira àquela Beira, é pior do que... (pausa). Para mim tudo o que vem dali é mau... Eu vou fugindo para o Sul, vou fugindo das raízes." José Cardoso Pires, antigo jornalista e um dos grandes escritores portugueses do século XX, nasceu em São João do Peso, uma das três freguesias de Vila de Rei. Nos anos 80, entrevistado por Fernando Assis Pacheco para o Jornal de Letras, descrevia com palavras duras a terra que o viu nascer. Não era, pois, uma relação de amor. Mas nem isso impediu a presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei, Irene Barata, de dar o nome do escritor à biblioteca local.

    Cardoso Pires viria a falecer em 1998, aos 73 anos, sem assistir ao "renascimento" da sua Beira. Não que Vila de Rei tenha subitamente mudado de poiso e deixado de ser um ponto perdido no interior do País. Mas passou a ter boas estradas, ginásio municipal, campo de ténis, minigolfe, lares e creches, piscinas, um centro de saúde moderno e até uma praia fluvial finalista no concurso das Sete Maravilhas de Portugal. E, sobretudo, quebrou, de acordo com os últimos Censos, uma tendência que a fez perder 62% da população entre 1940 e 2001.

    Esta é uma reportagem sobre o que, desde então, determinou o aumento da população de Vila de Rei uns curtos 2,8%, passando de 3 354 para 3 452 pessoas. O suficiente para se tornar num dos únicos concelhos (sem ser sede de distrito) do interior desertificado do País a crescer Campo Maior e Viana do Alentejo são os outros.

    AMOR

    Se não fosse por "eles", Carina, Sandra e Tânia não teriam vindo para Vila de Rei.

    Chegaram em idade casadoira, antes dos 30 anos, em meados da década passada, atrás dos homens que, mais ou menos recentemente, se tornaram seus maridos.

    "Vim por amor, é verdade", admite Carina, 32 anos, animadora cultural num lar de idosos. "Conheci o Sérgio e fomo-nos encontrando, primeiro como amigos e mais tarde como namorados. Na altura, a empresa onde estava fechou. Foi quando começámos a falar na eventualidade de eu procurar emprego mais perto." Mudou-se da Lousã (distrito de Coimbra) há quatro anos e encontrou em Vila de Rei várias jovens nas suas condições.

    Uma delas, Sandra Carvalho, acabou por tornar-se num elo de ligação entre todas, quando decidiu convocar um grupo para, semanalmente, participar numas aulas de dança, no ginásio municipal.

    Hoje, são sete. Aparecem já equipadas. A sala, contígua a uma piscina interior, está quente, mas ninguém se queixa. Em Vila de Rei, o ginásio, construído pela autarquia, chega a custar apenas 80 cêntimos por entrada. Tem máquinas, piscina coberta, estúdios e todo o material necessário à boa prática desportiva.

    Aos 27 anos, Sandra, licenciada em Gestão e Administração Pública, está desempregada praticamente desde que chegou ao concelho do centro geodésico de Portugal.

    Não tem sido fácil encontrar um sítio para trabalhar, apesar de, no boletim informativo de abril de 2012, a Câmara informar que a taxa de desemprego em Vila de Rei baixou de 5,96%, em 2010, para 4,71%, em 2011. É uma percentagem baixa, mas se um trabalhador não conseguir ingressar num lugar pago pela Misericórdia ou pela autarquia (seja na própria Câmara, em lares, na creche ou nas piscinas municipais, por exemplo), pouco resta.

    DINHEIRO

    "Esta terra não é diferente de muitas outras e é uma pena. Não tem empregadores.

    Os poucos que existem em Vila de Rei são a Câmara e a Santa Casa, o que é ótimo, enquanto existirem." Xavier Gouveia, 69 anos, médico reformado, teme que as já anunciadas medidas de austeridade a aplicar à administração local comprometam o futuro dos seus conterrâneos.

    E não gosta de ver a "subserviência", como diria Cardoso Pires, gerada por esta dependência face ao poder da autarquia, que se confunde com o da autarca.

    Jorge Macaísta Malheiros, 46 anos, geógrafo, não vê mal no facto de as câmaras do interior estenderem a sua ação para áreas em que os privados não querem entrar.

    Sempre é uma forma de criarem emprego.

    "O poder local e o Estado têm um papel de âncora, nestas regiões. Não vejo o emprego público como algo negativo. Leva a que alguma população qualificada se mantenha." Mas o professor defende a limitação de mandatos, que afetará Irene Barata, como forma de não se perpetuarem determinadas práticas políticas.

    Em Vila de Rei, há um dos rácios mais elevados do País entre funcionários autárquicos e habitantes. Dados recentes mostram que, por cada mil pessoas, 37 trabalham para a autarquia. Mas nem isso eleva a média salarial no concelho. Entre 2002 e 2009, subiu de 547 para 652 euros. A média, em Oeiras, ultrapassa os 1 692 euros.

    Mas "ganhar 500 euros aqui é como ganhar mil em Lisboa", dizem os mais jovens. "Por exemplo, nós não temos as despesas de supermercado de outras pessoas que não têm horta para cultivar", explica Diogo Dias, 24 anos, bombeiro.

    O seu colega de profissão, Filipe Nuno, 29 anos, marido de Sandra Carvalho, corrobora: "Os meus pais, sendo de cá, têm um quintal e vão-nos dando apoio, com legumes e coisas do género. Isso é uma maisvalia, claro." Sandra acrescenta: "Não há onde ir para gastar dinheiro. O incentivo ao consumo não é tão grande."

    HABITAÇÃO

    As razões por que é mais barato viver em Vila de Rei são várias e muitas prendemse com áreas em que a autarquia se foi substituindo aos privados. O ginásio, já se disse, pode custar menos de um euro por entrada. Na creche da autarquia, só se paga a alimentação, o que constitui um grande desafogo para quem quer ter filhos.

    Os terrenos comercializados pela Câmara têm preços controlados. Há muita habitação social e cartões para jovens e idosos com acesso a descontos. Isto sem falar nos incentivos que, desde o ano 2000, a Câmara já deu a 119 jovens que se casaram em Vila de Rei e a 223 bebés que nasceram ou foram adotados na região 292 297 euros, no total. "Um case-study ", assegura Macaísta Malheiros.

    Além disso, os idosos que vivem nos 93 lugares espalhados por três freguesias podem vir a Vila de Rei, uma vez por semana, gratuitamente. "A Câmara dividiu o concelho em cinco zonas. Quando os autocarros terminam os transportes escolares, começam a ir às povoações. Tudo gratuitamente." A explicação é dada por Irene Barata, presidente da Câmara de Vila de Rei desde 1989, a mulher que tem travado a luta contra o despovoamento.

    Mais do que os incentivos de mil euros por bebé ou de 750 por casamentos, o que levou Pedro Marques, 30 anos, e Tânia Gaspar, 32, a iniciarem a sua vida conjugal em Vila de Rei de onde nenhum é oriundo foi a possibilidade de poderem construir a sua casa de sonho. "Pensámos um bocadinho no futuro, nos filhos e nos meus pais, que ficam aqui, quando nos vêm visitar.

    Sempre disse ao Pedro que, se tivéssemos possibilidade, gostava de construir.

    O facto de conseguirmos estes terrenos do loteamento a preços reduzidos ajudou ", conta Tânia, educadora de infância; Pedro é empregado num restaurante.

    Em Lisboa, uma vivenda destas moderna, com quintal, garagem, 350 metros quadrados, três casas de banho, quatro quartos e cozinha equipada custaria bem mais do que os 150 mil euros gastos pelo casal. O valor inclui o preço do terreno.

    Agora, vem um bebé a caminho. "É um grande sonho, meu e do meu marido."

    EDUCAÇÃO

    O filho ou filhos que Pedro e Tânia vão ter em Vila de Rei poderão ser obrigados a sair do concelho se quiserem estudar além do ensino secundário. Esse é, aliás, um dos momentos que pode levar ao êxodo do interior. "A saída para a universidade ou a entrada em idade ativa é um momento de partida", explica o geógrafo ouvido pela VISÃO.

    Para já, e com a vinda de 12 alunos sãotomenses, em 2011, está assegurada a permanência do 12.º ano na escola local. Mas o futuro é uma incógnita. Cláudia dos Santos, 18 anos, é uma das seis raparigas que vieram da Ilha do Príncipe. Vive, com os restantes adolescentes, numa antiga escola primária gerida, 24 horas por dia, por funcionários da autarquia. Os quartos são unissexo e têm beliches. Há duas salas de estudo e duas de estar. Rapazes e raparigas não se misturam.

    Ultrapassada que está a adaptação o pior foi o frio, o puré e a sopa Cláudia sente-se bem em Vila de Rei. Mas não quer ficar. "Depois de terminar? Não! Eu quero ir para o meu País e ajudar no desenvolvimento da Ilha do Príncipe.

    Tenho muito orgulho de ser de lá, tenho saudades." O protocolo entre Vila de Rei e São Tomé e Príncipe é a três. Inclui também Oeiras. "Eu sou amiga de Isaltino Morais e, numa das vezes em que estive com ele, chegou a Oeiras o Presidente de S. Tomé e Príncipe. Conversámos e, como S. Tomé não dispõe de ensino secundário e Oeiras tem um protocolo com S. Tomé para a frequência do ensino superior por são-tomenses, pensámos num protocolo a três. Os alunos vêm para Vila de Rei completar o secundário, depois vão para Oeiras frequentar a universidade, e, assim, ajudamos uma ex-colónia.

    " A autarca foi uma das signatárias deste acordo. E não foi a primeira vez que trouxe imigrantes para Vila de Rei.

    Em 2006, vieram 14 brasileiros, entre adultos e crianças, para repovoar o interior. Alguns saíram pouco depois, queixando-se de más condições, empregos não coincidentes com as suas habilitações, isolamento e até fome. Ficou apenas uma família. Marcelo e Letícia Duarte, que chegaram com dois filhos, tiveram, entretanto, mais dois, que já contaram para o Censos. Ela continua a trabalhar num lar, ele tornou-se empresário e tomou conta, com uma sócia, do Minipreço local. Emprega cinco pessoas.

    O suficiente para deixar Irene Barata radiante. "Voltava a fazer exatamente o que fiz. O saldo foi altamente positivo."

    PAZ

    Vila de Rei é um concelho pacífico, para onde a qualidade de vida tem atraído alguns jovens. Fora os fogos florestais, que destruíram os pinhais mais próximos, nos últimos verões, não há stresse. O trânsito flui tranquilamente. Os vilarregenses são hospitaleiros. "Nós acolhemos bem as pessoas de fora e elas gostam disso." Diogo Dias tem um grupo que se orgulha de "receber bem": o "Gangue do Bacalhau".

    Todas as quartas-feiras, reservam a noite para ver futebol, conversar, beber umas minis e jantar. A cada semana, muda o cozinheiro. Diogo Dias é apenas um dos "bacalhaus". Ao todo, são mais de dez rapazes, entre os 20 e os 55 anos. Alguns vieram de fora de Vila de Rei, outros estão emigrados. Os encontros semanais realizam-se no Café Império. "O dono fecha o espaço à quarta, empresta-nos a chave e nós tratamos de tudo", conta Sérgio Francisco, um elemento do "gangue".

    Os jantares são uma das formas que os mais jovens têm de se entreterem. As outras passam pelos encontros, no quartel de bombeiros, ou pelas idas a Abrantes ou a Torres Novas, para fazer compras ou passear. A distância não é problema. "Eu acho que estou perto de tudo. Estou mais ou menos a uma hora e meia de Lisboa, a duas horas e meia do Porto, a uma hora de Coimbra e de Castelo Branco, que é a capital de distrito", observa Diogo.

    A qualidade de vida em Vila de Rei também atraiu, de volta, alguns filhos da terra.

    Xavier Gouveia regressou em 2005, depois de se reformar. "Foi um regresso às origens, porque eu gosto imenso de Vila de Rei." Mas ficou desiludido, sobretudo quando sentiu pouca liberdade para criticar algumas opções da autarquia e o estrangulamento total das alternativas políticas. "Não há, porque as pessoas estão desmotivadas. Os jovens têm um certo medo de se meter nisso, porque, ou se metem, militando em determinado partido político, ou então não têm a mínima hipótese de intervir." É por isso que o futuro, para Xavier Gouveia, que, em tempos, integrou as listas do CDS, como independente, é "sombrio ", especialmente no capítulo político.

    "Essa personalidade [Irene Barata], em princípio, não se pode candidatar como presidente, mas tem capacidade para se candidatar como vice-presidente. E o presidente indigitado, entre aspas, parece que vai pedir a demissão. Isto é o que consta...", adianta.

    O cenário é especulativo. Porém, não é fácil encontrar alguém, na vila, que acredite no afastamento total de Irene Barata.

    À VISÃO, a autarca vai dizendo que, se pudesse, ficaria, nem que fosse como voluntária.

    A emoção toma conta dela e os olhos enchem-se-lhe de lágrimas quando fala do futuro. "Eu gostaria que todas as pessoas de Vila de Rei continuassem a ter, aqui na Câmara, alguém que as veja com os mesmos olhos com que eu vejo e sempre vi." Porque vai sair? "Porque vou sair." Cumprirá os 24 anos de mandato? "Sim." Isso é difícil para si? "É! Por todas as razões, é muito difícil, nem queira saber..."