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Zé Dos Bois: Um passo à frente

Visão Se7e

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Os rostos da ZDB De cima para baixo e da esquerda para a direita: Sérgio Hydalgo (programação música), Marta Furtado (direcção e programação de artes performativas), Natxo Checa (direcção, programação artes visuais),Joana Botelho (direcção e relações institucionais), Inês Castaño (serviço educativo e produção), Miguel Ferrão (assistência curadoria), Daniela Ribeiro (comunicação e programação de cinema), Paulo Queiroz (assistência curadoria e arquivo) Filipe Felizardo (tour manager de música) e Cristiano Rodrigues (técnico de som). De fora, ficaram os estagiários: Bruno e Nuno Moreira e a pachorrenta cadela Bernarda

Marcos Borga

Em tempo de aniversário, visitámos a Galeria Zé dos Bois, no Bairro Alto. Desvendamos o que se passa, de dia e de noite, no centro cultural que há 15 anos aposta nas artes performativas e visuais e na boa música

Quem conhece bem os cantos da casa apelida-a de ZDB. Para os outros, a abreviatura de Galeria Zé dos Bois não é suficiente. Mas a forma como (re)conhecem o centro cultural da Rua da Barroca, no Bairro Alto, em Lisboa, não é o mais importante. Interessa, sim, saber o que se passa no seu interior. E é muito.

Os recantos, as salas e os terraços são labirínticos. A sensação de se estar perdido é vivida em cada virar de esquina. Entrando pela grande porta de madeira, e ainda no piso térreo, é a Livraria Ler Devagar que dá as boas-vindas com livros de belas-artes, design, arquitectura e estética, entre outros temas. Antes de subir a escadaria, "tropeçamos" num São Bernardo que dormita na pedra fresca. Eis a mascote da casa, a cadela Bernarda. No primeiro andar começa o mundo ZDB que nos foi apresentado pelos três membros da direcção: Natxo Checa (director-geral, curador e responsável programação das artes visuais), Marta Furtado (responsável pela programação artes performativas do Negócio) e Joana Botelho (relações institucionais).

Numa das salas toda forrada a preto e com uma área generosa decorrem os concertos ZDB Müzique. As grandes janelas escurecidas são motivo de curiosidade por parte dos frequentadores dos bares da vizinha Rua da Rosa - espreitam para perceber o que se passa no interior. Os "ocupantes" de duas grandes áreas do primeiro e segundo pisos são os artistas Alexandre Estrela, António Poppe, Brian Butler, Jannis Varelas, Joachim Koester, John Bock, Jonathan Meese, Manuel Ocampo, Markus Selg, Tamar Guimarães e Kenneth Anger. As suas obras, inseridas no Ciclo Kenneth Anger, podem ser vistas até dia 1 de Agosto. A meio da visita guiada apresentam-nos Carla, Rita e Sílvia, dos Materiais Diversos, uma estrutura de produção e difusão de artes performativas que anualmente organiza e produz cerca de 60 espectáculos. Pelo caminho conversamos com Magda Bull, directora de produção da companhia Mala Voadora. Até ao final do ano contam apresentar mais duas estreias, uma delas inserida no Festival Temps d'Imagens, e em 2010 aguardam a internacionalização. Subindo todas as escadas encontramos o "solitário", mas bem-disposto, Eduardo Matos, artista residente, na área do vídeo, desenho e fotografia, que há seis meses trocou o Porto por este "cantinho" na Galeria Zé dos Bois.

Perto das 22 horas, em noite de sessão de cinema ao ar livre, a partilha da mesma mesa faz com que a conversa se proporcionasse com Dário Dinis, 32 anos, e Joana Lucas, 31. Um casal habitué revela que a exibição, em estreia nacional, do filme Wild Combination - A Portrait of Arthur Russel, de Matt Wolf, foi graças à sugestão deles. O ciclo de cinema é a mais recente aposta da ZDB e ocupa uma zona recentemente remodelada. Inicialmente pensado para animar as quartas-feiras de Julho, o ciclo prolonga-se até Setembro.

Uma questão de criação

A localização, entre restaurantes, bares e discotecas, não transforma o espaço numa casa nocturna. "A ZDB é, acima de tudo, um espaço de criação, antes de ser de difusão", refere Natxo Checa, 41 anos, director-geral. Para este catalão a viver em Portugal há 22 anos, a ZDB "é um espaço cultural e não uma galeria. Não vendemos arte, vendemos produtos culturais."

São 11 os funcionários divididos entre direcção, programação cultural, curadoria, serviço educativo, marketing, som, comunicação, produção e relações institucionais. O resultado do seu trabalho é visto e ouvido nos diferentes espaços do grande edifício com o número 59 na porta. E também no Negócio, uma antiga cavalariça, na Rua do Século, a funcionar como laboratório de experimentação, residência e de trabalho nas artes performativas (teatro e dança).

Nos anos 90, do século XX, "surgia uma geração artística que encontrava dificuldade em encontrar um espaço físico e intelectual onde pudesse apresentar a sua obra nas diferentes áreas: performativas visuais, poesia, instalações e música". Assim, nascia em 1994, a irreverente Galeria Zé dos Bois, que rompia com os tradicionais locais de arte e exposição, fundada por 14 pessoas ligadas ao meio artístico. "Aqui nós produzimos arte contemporânea", assegura Natxo Checa.

 

PROGRAMAÇÃO

  • Exposições

>> Estrela Brilhante da Manhã Colectiva de Alexandre Estrela, António Poppe, Brian Butler, Jannis Varelas, Joachim Koester, John Bock, Jonathan Meese, Manuel Ocampo, Markus Selg, Tamar Guimarães e Kenneth Anger

Até 1 Ago, Qua-Sáb 15h-23h. €2

>> Os artistas que se seguem... Alexandre Estrela, Eduardo Matos e Paulo Mendes vão marcar presença neste espaço cultural (em 2009/2010)

  • Cinema no Terraço

>> The R. Stevie Moore Vídeo Show, de Nuno Monteiro (estreia nacional)

29 Jul, Qua 22h. €2

  • ZDB Müzique

>> Space Colective 3 (Portugal, Setembro); Grouper (Estados Unidos, Novembro); Fuck Buttons (Reino Unido, 31 Out-1 Nov); Nite Jewl (Estados Unidos, sem data definida)

Os preços variam entre €5 e €10

  • Teatro

>> Em Setembro A Menina Júlia, de August Strindberg, terceira peça da trilogia dos Primeiros Sintomas

 

 

>> Serviço educativo

Trabalham regularmente desde 2005 com cerca de 1200 crianças de escolas circundantes (Baixa-Chiado) proporcionando a aproximação dos conteúdos de arte contemporânea às crianças. Pretendem criar públicos, discutir, criticar e reflectir sobre as peças e sobre o trabalho dos artistas. Por isso, organizam visitas guiadas às exposições e projectos específicos dentro das áreas performativas.