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Até já, até sempre: Carlos do Carmo nos coliseus do Porto e de Lisboa

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No ano em que completa oito décadas de vida, Carlos do Carmo despede-se dos palcos com dois concertos muitos especiais. Depois do Coliseu do Porto, neste sábado, 2, o fadista apresenta-se no Coliseu dos Recreios no próximo sábado, 9

Em 2020, Carlos do Carmo prevê editar um novo álbum, o primeiro em sete anos, no qual cantará poemas de Jorge Palma, Manuel Alegre, José Luís Tinoco, Herberto Helder, José Saramago ou Sophia de Mello Breyner

Em 2020, Carlos do Carmo prevê editar um novo álbum, o primeiro em sete anos, no qual cantará poemas de Jorge Palma, Manuel Alegre, José Luís Tinoco, Herberto Helder, José Saramago ou Sophia de Mello Breyner

Joana Lima Rocha

O seu nome confunde-se não só com a história do fado mas também com a da própria música portuguesa do último meio século. Depois de Amália Rodrigues, Carlos do Carmo é, para muitos, a maior voz do fado, como se comprova pelas inúmeras distinções, entre as quais um Grammy Latino de carreira, atribuído em 2014, mas especialmente por uma obra ímpar, tão bem resumida na recentemente editada coletânea Oitenta, caixa de quatro discos, com oito dezenas de temas – do fado a outros universos. Ao longo de mais de meio século de carreira, Carlos do Carmo foi um dos mais profícuos cantores nacionais, deixando para a memória coletiva nacional temas como Lisboa, Menina e Moça, Estrela da Tarde, Os Putos e tantos, tantos, outros.

Tal como Amália, foi um artista transversal, sempre com um pé na tradição, mas sem medo – ou antes, com muita vontade – de arriscar pelos mais diversos territórios musicais, como aconteceu nos discos em parceria com Bernardo Sassetti ou Maria João Pires, quando interpretou Frank Sinatra acompanhado pela lendária Count Basie Orchestra ou, mais recentemente, quando aceitou participar no disco de Stereossauro, no qual cantou uma versão de Cacilheiro, outro dos seus grandes clássicos, acompanhado pela guitarra de The Legendary Tiger Man. Um artista tão “local como universal”, como aqui escrevemos por ocasião da edição de Oitenta, que teve sempre o público do seu lado, como só acontece aos maiores, àqueles cuja obra é maior do que a própria vida, por pertencer à vida de tantos. É tudo isto que se celebra nestes dois concertos históricos, anunciados como a despedida dos palcos. Não será, no entanto, um adeus, mas um até sempre, porque a voz de Carlos do Carmo já é eterna.

Carlos do Carmo > Coliseu do Porto > R. de Passos Manuel, 137, Porto > T. 22 339 4940 > 2 nov, sáb 21h30 > €15 a €40 > Coliseu dos Recreios > R. das Portas de Santo Antão, 96, Lisboa > T. 21 324 0580 > 9 nov, sáb 21h30 > €15 a €50