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Os Artistas Unidos evocam a família que se constrói na peça "Emília", em Lisboa

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Os Artistas Unidos regressam a Claudio Tolcachir precisamente um ano depois de terem encenado O Vento num Violino e de, em 2017, terem feito uma leitura encenada (para a Antena 2) de A Omissão da Família Coleman. A peça Emília está em cena no Teatro da Politécnica, em Lisboa, até meados de outubro

Cláudia Marques Santos

A trilogia da família do argentino Claudio Tolcachir completa-se com esta peça

A trilogia da família do argentino Claudio Tolcachir completa-se com esta peça

Já não é a família desagregada de Tennessee Williams, já não é a família melancólica de Tchékhov, nem sequer é a família agressiva de Fassbinder. Depois de A Omissão da Família Coleman e de O Vento num Violino, a trilogia da família do argentino Claudio Tolcachir completa-se com este Emília e trabalha “o desejo de pertença a uma família não biológica”. As palavras são de Jorge Silva Melo, o encenador, que faz uma inevitável comparação com o filme Roma, do também argentino Alfonso Cuarón.

A história é a do reencontro de uma ama com o seu “menino”, agora adulto, chamado Walter. É a história de uma dedicação que nunca se perde e que vai até às últimas consequências. Ele acaba de se mudar para uma casa nova, com a mulher e o filho, de quem não é o pai biológico, e deseja ardentemente replicar um núcleo de afetos e dedicação incondicionais, com toda a violência que isso implica.

“Esta peça, que é anterior ao Roma, tem imensas coisas do filme: toda a situação, a mudança de casa, o encontro com a ama. E foi um grande sucesso na Argentina”, conta Jorge Silva Melo. “Tem a ver com as classes sociais naquele país. Há este reencontro com uma burguesia que já não existe, uma burguesia que teve algum dinheiro, teve direito a ama, e que depois da grande crise já está a mudar para uma casa melhorzinha. Há um reencontro de laços familiares.”

A ideia da família que construímos, mais do que a família que herdamos, é aqui trabalhada em camadas, em núcleos, em dentros e foras – como pode ver-se, até, no desenho da cenografia. Emília encontra-se sempre de parte. O seu porte e a sua dicção desarrumam a figura de vestes humildes. “Não queria nada que a Emília fosse a peixeira do costume, queria que a Emília viesse do teatro antigo. É a ama da Fedra, a ama da tragédia...”, explica o encenador Silva Melo. “Por isso é que ela nunca está bem na cena, está nas margens, no sítio onde os homens se calçam para sair e se descalçam quando entram em casa.”

Emília > Teatro da Politécnica > R. da Escola Politécnica, 54, Lisboa > T. 21 391 6750 > 11 set-19 out > ter-qua 19h, qui-sex 21h, sáb 16h e 21h > €6-€10