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Jazz em Agosto, na Fundação Gulbenkian: Música para que nada fique na mesma

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Agosto, já se sabe, é mês de jazz na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Uma tradição de qualidade com mais de três décadas. A 36ª edição do festival começa nesta quinta, 1, dividida em dois fins de semana XL

Marc Ribou gravou, no ano passado, o disco Songs of Resistance. Vem agora apresentá-lo no concerto de abertura do Jazz em Agosto, esta quinta, 1

Marc Ribou gravou, no ano passado, o disco Songs of Resistance. Vem agora apresentá-lo no concerto de abertura do Jazz em Agosto, esta quinta, 1

Ebru Yildiz

Desde a primeira edição que o Jazz em Agosto se assumiu como uma referência, com cartazes tão arriscados quanto abrangentes, que têm consolidado uma identidade muito própria. Pela música, de inequívoca qualidade, mas também pelo modo como esta tem retratado a sociedade ao longo dos tempos. No atual quadro de um mundo em convulsão política e social, não é de admirar que a edição deste ano do Jazz em Agosto decorra sob o signo da “resistência”. Como é lembrado no programa do festival, “o jazz sempre teve na sua raiz a semente da contestação e da mudança”.

Com base nesse conceito, o guitarrista norte-americano Marc Ribot, habitual colaborador de gente como Tom Waits ou John Zorn, gravou, no ano passado, o disco Songs of Resistance, que agora vem apresentar no concerto de abertura do Jazz em Agosto. A ideia surgiu-lhe durante as manifestações do movimento Occupy Wall Street, iniciadas em setembro de 2011, em Nova Iorque, como protesto contra o poder dos bancos. Apoiante da causa, o músico chegou à conclusão de que faltavam canções de protesto capazes de falar, sob a forma de música, das paixões e ambições desta nova geração de revolucionários. Recriou, então, temas clássicos de revoluções passadas, mas acrescentando também temas inéditos com destinatários bem explícitos, como o atual Presidente dos Estados Unidos da América.

Entre as propostas destes primeiros dias de festival, destaque-se a mistura de hip-hop, jazz e spoken word dos nova-iorquinos Heroes Are Gang Leaders, a endiabrada fusão de jazz e metal dos californianos Burning Ghosts e o “afrofuturismo” da flautista norte-americana Nicole Mitchell, em que jazz, funk, música erudita, spoken word e sons orientais se juntam.

O festival continua no próximo fim de semana, com atuações do violinista francês Théo Ceccaldi, de um supergrupo liderado pelo baterista norte-americano Tomas Fujiwara, do trompetista norte-americano Ambrose Akinmusire ou da guitarrista norte-americana Mary Halvorson, entre outros.

Este ano, às noites no Anfiteatro ao Ar Livre voltam a juntar-se os concertos da tarde no Auditório 2

Este ano, às noites no Anfiteatro ao Ar Livre voltam a juntar-se os concertos da tarde no Auditório 2

Márcia Lessa

Jazz em Agosto > Fundação Calouste Gulbenkian > Av. de Berna, 45A, Lisboa > T. 21 782 3700 > 1-11 ago, qui-dom > €6 a €90 (passe)