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Museu Nadir Afonso, em Chaves, expõe obras de Helena Almeida

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A exposição Helena Almeida – Habitar a Obra: na Coleção de Serralves, é um gesto de homenagem à artista, figura fundamental da arte contemporânea portuguesa. São quinze obras para ver no Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso, em Chaves, projetado por Siza Vieira, até 20 de outubro

Pintura habitada, de 1975, é uma das obras que integra a exposição em Chaves

Pintura habitada, de 1975, é uma das obras que integra a exposição em Chaves

O Museu de Serralves volta a colaborar com a Câmara Municipal de Chaves, levando àquela cidade a exposição Helena Almeida – Habitar a Obra: na Coleção de Serralves, que pode ser vista até 20 de outubro no Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso. Integrada no programa de exposições e mostra de obras da Coleção de Serralves centrada na arte contemporânea, produzida desde os anos 60 até a actualidade, que este ano celebra 30 anos –, com o objetivo de tornar o acervo acessível a diferentes públicos em todo o País, a exposição é “um renovado gesto de homenagem a uma artista original e irreverente”, disse Marta Moreira de Almeida, a curadora, na apresentação aos jornalistas.

Trata-se da primeira exposição após o recente desaparecimento de Helena Almeida (Lisboa, 1934-2018), “personagem fundamental na história da arte portuguesa”, sublinhou Bernardo Pinto de Almeida, professor da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. São quinze obras, divididas por duas salas, onde se incluem as primeiras telas abstratas, do final dos anos 60, quadros habitados pelo corpo da artista e uma obra de grande escala, de 1995, criada para uma exposição na Casa de Serralves.

Depois da grande retrospetiva no Museu de Serralves, em 2015, onde foi possível observar todo o trabalho de Helena Almeida, agora, e recorrendo apenas à Coleção de Serralves, “mostra-se a vida e a obra de Helena Almeida”, notou a curadora. Nos primeiros trabalhos, observamos uma artista insatisfeita com os limites do papel e da tela, que “tem interesse em explorar e ultrapassar”. “Havia uma vontade de representar algo que não fosse só aquilo que o pintor aprende a desenhar e a pintar na Escola de Belas Artes”, sublinhou Marta Moreira de Almeida.

Um dos vinte elementos que compõem a obra de 1995, concebida especificamente para uma exposição na Casa de Serralves

Um dos vinte elementos que compõem a obra de 1995, concebida especificamente para uma exposição na Casa de Serralves

A exposição é acompanhada de um catálogo onde, para além de imagens das obras, está o excerto de uma entrevista a Helena Almeida, realizada em 2015, por Marta Moreira de Almeida e João Ribas, ao longo da qual a artista explica o seu trabalho. Ali, encontram-se reflexões sobre a pintura, que a levou a concluir que “o seu corpo era a obra”. “É uma comunhão completa, daí ela dizer ‘a minha obra é o meu corpo, o meu corpo é a minha obra’”, explicou a curadora. Apesar de a pintura ser fundamental na obra de Helena Almeida, ela deixa de lado os pincéis, para usar outro meio de representação. Surgem assim os quadros habitados, “obras-primas”, das quais Helena Almeida faz parte. “É uma pintura habitada pelo corpo e representada pelo meio da fotografia”, acrescentou Marta Moreira de Almeida.

Já na segunda sala surge uma peça de grande formato, com 20 elementos, dos anos 80, que nos leva até ao seu atelier em Campo de Ourique, Lisboa. Ao contrário de trabalhos anteriores, onde a figura da artista surge fragmentada, aqui ela volta a aparecer, “de corpo inteiro, mas desfocada”. “Há um percurso, uma ação performativa, um circular no espaço do atelier, que convida a entrar na sua obra”. A sequência fotográfica, a revelar uma abordagem inovadora da relação do corpo com o lugar, encerra a exposição.

Falta só dizer que é fácil encontrar o edifício de betão branco, paralelo ao rio Tâmega, desenhado por Siza Vieira, onde está o Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso. Depois de entrar na cidade, é só seguir as indicações, a cada nova rotunda. Sustentado sobre muros e elevado sobre o terreno como se estivesse suspenso, o edifício de linhas direitas e janelas rasgadas conquista mesmo antes de subirmos a rampa de acesso. Há ainda antigos muros de granito, algumas árvores e um longo tapete verde a pontuar a paisagem. “É extraordinário, sentimos-nos em casa, faz-nos lembrar o nosso museu”, observou Ana Pinho, presidente do conselho de administração da Fundação de Serralves. Tal como o exterior ajardinado, o interior é amplo, com salas desafogadas e cheias de luz, tetos de gesso e soalho de madeira. Ali, podemos ver também Arquitetura sobre Tela, primeira exposição monográfica do mestre Nadir Afonso, composta por muitas obras de viagem, pinturas de colaborações com Le Corbusier, Oscar Niemeyer e Siza Vieira, desenhos, cartas e maquetes.

Seja para ver os vibrantes e geométricos quadros de Nadir Afonso, as obras habitadas de Helena Almeida ou o edifício projetado por Siza Vieira, vale a pena meter o pé na estrada e rumar a Chaves.

O Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso é mais do que pretexto para uma visita a Chaves

O Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso é mais do que pretexto para uma visita a Chaves

Lucília Monteiro

Ainda no âmbito das mostras itinerantes está agendada a abertura da exposição Portobello, de Patrícia Almeida, na próxima terça, dia 14, no Teatro das Figuras, em Faro, e de Mesa dos Sonhos: Duas Coleções de Arte Contemporânea – Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento e Fundação de Serralves, no dia 19, na Galeria Municipal de Matosinhos. “É nossa estratégia, de alguns anos a esta parte, sair fora dos nossos muros e estar mais próximos das pessoas”, sublinhou Ana Pinho, presidente do conselho de administração da Fundação de Serralves.

Helena Almeida – Habitar a Obra: na Coleção de Serralves > Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso > Av. 5 de Outubro, 10, Chaves > T. 276 340 500 > até 20 out > ter-dom 10h-13h, 14h30-19h > €5