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Corpos extremos: "Autodance" e "Skid" fecham o Festival Dias da Dança, no Porto

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Termina em grande o Festival Dias da Dança, com duas peças da companhia sueca GöteborgsOperans Danskompani, referência da dança contemporânea mundial. Autodance e Skid sobem ao palco do Coliseu do Porto neste sábado, dia 4

"Autodance", trabalho assinado pela aclamada coreógrafa israelita Sharon Eyal

"Autodance", trabalho assinado pela aclamada coreógrafa israelita Sharon Eyal

Tilo Stengel

O convite a coreógrafos de renome e a emergentes promissores para criarem espetáculos originais tem garantido à GöteborgsOperans Danskompani um repertório diversificado e desafiante para os seus 38 bailarinos. As duas peças que trazem ao Coliseu do Porto, no âmbito do DDD – Festival Dias da Dança, não são exceção e mostram por que razão é esta companhia de dança contemporânea sediada em Gotemburgo considerada uma das mais importantes da atualidade.

A apresentação começa com Autodance, o segundo trabalho assinado pela aclamada coreógrafa israelita Sharon Eyal (em conjunto com Gai Behar) para a GöteborgsOperans Danskompani, estreado em março de 2018. Os bailarinos, homens e mulheres anódinos, vestidos com fato justo de licra, caminham como se fossem poderosos centauros, as criaturas da mitologia grega com cabeça e dorso humanos a contrastar com as pernas de cavalo. Os exigentes e incessantes movimentos, feitos em pontas, ora leves ora explosivos, conjugam-se com a música techno criada por Ori Lichtik.

"Skid", da autoria do franco-belga Damien Jalet

"Skid", da autoria do franco-belga Damien Jalet

Mats Backer

Segue-se Skid (“derrapagem”, em português), da autoria do franco-belga Damien Jalet, estreado na temporada passada com assinalável sucesso. O espetáculo destaca-se, desde logo, pela cenografia, com um palco inclinado a 34 graus a desafiar a gravidade e a desencadear reações em cadeia, físicas e emocionais, dos 17 bailarinos em cena. Uma luta pela sobrevivência, dura e perigosa, mas também com apontamentos de humor e poesia. A projeção das luzes nos corpos cria um belo jogo de sombras, quase cinematográfico, a potenciar o efeito vertiginoso da coreografia – metáfora poderosa sobre as lutas incessantes do dia a dia, com momentos de abandono.

Autodance + Skid > Coliseu do Porto > R. Passos Manuel, 137, Porto > T. 22 339 4940 > 4 mai, sáb 22h > €10