Visão Sete

Siga-nos nas redes

Perfil

No DDD – Festival Dias da Dança, o corpo é uma arma

Ver

A dança contemporânea do Brasil e a força crítica dos seus coreógrafos estão em destaque na quarta edição do DDD – Festival Dias da Dança, em união de forças com o FITEI. O festival começa nesta quarta, 24, no Porto, em Matosinhos e Vila Nova de Gaia

"Looping: Bahia Overdub" é o espetáculo de abertura do DDD

"Looping: Bahia Overdub" é o espetáculo de abertura do DDD

Patrícia Almeida

É em clima de festa, transpondo para o palco do Rivoli o ambiente contagiante vivido nos terreiros da cidade de Salvador da Bahia, capital da cultura afro-brasileira, que começa a quarta edição do Festival Dias da Dança (DDD). Looping: Bahia Overdub, uma criação de Felipe de Assis, Leonardo França e Rita Aquino, é apresentado esta quarta, 24, e “evidencia o quanto as danças sociais, como movimento de luta e de resistência, são importantes no Brasil de hoje”, destaca Tiago Guedes, o diretor artístico do DDD.

As convulsões vividas no Brasil contaminam muitas das propostas apresentadas no festival, leituras críticas a que urge dar voz. “Há uma tensão social, cultural e política, e os coreógrafos estão a ter uma reação muito forte através dos seus espetáculos”, sublinha Tiago Guedes. Os próprios títulos das criações, como Fúria, de Lia Rodrigues, ou A Invenção da Maldade, de Marcelo Evelin, ambos coreógrafos consagrados, abordam de forma direta a atualidade brasileira e questionam-se sobre o papel que poderá ser assumido pela dança contemporânea.

Neste foco da programação do DDD, merece igualmente atenção o trabalho sobre as raízes culturais e identitárias do povo brasileiro desenvolvido pela jovem coreógrafa Alice Ripoll. Ao Porto, traz dois espetáculos dotados de uma enorme energia, pertencentes a projetos originários das favelas do Rio de Janeiro. Acordo, da Cia Rec, uma espécie de jogo do toca-e-foge a envolver o público, “dá visibilidade à forma preconceituosa como ainda são vistos os homens negros no Brasil”, adianta Tiago Rodrigues. Já Cria, da Cia Suave, convoca as danças urbanas brasileiras, como a dancinha e o passinho, nascidos do funk, para criar uma técnica nova, filha dos ódios e dos afetos surgidos neste contexto brasileiro. “Nóis é cria, não é criado”, é o lema do grupo de bailarinos. Grandes manifestos sobre o corpo como reflexo das tensões sociais.

"Fúria", uma das criações da coreógrafa Lia Rodrigues apresentada no DDD

"Fúria", uma das criações da coreógrafa Lia Rodrigues apresentada no DDD

Sammi Landweer

Além dos espetáculos de dança, o Foco Brasil conta também com um concerto de Linn da Quebrada (dia 4 de maio, no Rivoli), masterclasses e conversas.

DDD – Festival Dias da Dança > Teatro Municipal do Porto – Rivoli e Campo Alegre, Teatro Municipal Constantino Nery, Auditório Municipal de Gaia, Teatro Nacional São João, Coliseu Porto Ageas, Fundação de Serralves, Mala Voadora, Palácio do Bolhão, Mira, Armazém 22, Casa da Arquitetura > Porto, Matosinhos e Vila Nova de Gaia > 24 abr-11 mai, 8-12 mai (Semana +) > €5 a €16, passes DDD+FITEI €33, passes DDD 50% desconto, entrada gratuita no DDD Out