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Angélica Lidell, Marina Abramovic e Gerard & Kelly na bienal BoCA

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A segunda edição da BoCA - Bienal de Artes Contemporâneas começa nesta sexta, 15, e decorre até 30 de abril, em simultâneo nas cidades de Lisboa, Porto e Braga. Um diálogo entre artes visuais, performances, artes cénicas e música, resumido aqui em sete pontos

O Museu dos Coches, em Lisboa, acolhe a estreia de "Coin Operated", a performance em cavalos mecânicos da dupla Jonas & Lander

O Museu dos Coches, em Lisboa, acolhe a estreia de "Coin Operated", a performance em cavalos mecânicos da dupla Jonas & Lander

Jeanine Woolard

1. Transversalidade


À segunda edição, a BoCA sedimenta o conceito, assente na colaboração, no diálogo e nas sinergias com mais de 40 instituições culturais, nacionais e internacionais, entre museus, teatros e galerias, mas também discotecas, igrejas e espaço público. Marcam presença 52 artistas e serão apresentadas 22 estreias mundiais e 15 nacionais. Refira-se Beyoncé Mass, de Yolanda Norton, uma celebração religiosa inspirada na artista norte-americana (29-30 mar, 21h30), na Saint George Church, em Lisboa.

2. Descentralização


A programação divide-se entre Lisboa, Porto e Braga. “O foco principal da BoCA é criar novos circuitos e dar a conhecer novos artistas e novas práticas… É muito interessante gerir tantos projetos, parcerias e geografias”, sublinha John Romão, diretor artístico. No pós-bienal, algumas obras vão circular ainda pelo País e pelo estrangeiro.

3. Património


Na escolha dos locais procurou valorizar-se o património das três cidades. Veja-se a Casa dos Crivos, em Braga, que acolhe performances e instalações de três artistas: Maria Trabulo (23-28 mar), Adolfo Luxúria Canibal (30 mar-4 abr) e Joana da Conceição (6-12 abr). Ou o Museu dos Coches, em Lisboa, onde se estreia Coin Operated, a performance em cavalos mecânicos da dupla Jonas & Lander (19-20 abr, 15h-17h).

Imagem da instalação-vídeo "Spirit House", de Marina Abramovic

Imagem da instalação-vídeo "Spirit House", de Marina Abramovic

4. Marina Abramovic


É uma das grandes surpresas desta bienal, até porque muitos desconhecem a relação da artista sérvia com Portugal. A instalação-vídeo Spirit House, concebida em 1997 para o antigo matadouro municipal das Caldas da Rainha, está em exposição nas Carpintarias São Lázaro, em Lisboa, durante a bienal (15 mar-30 abr). “É interessante ver como a efemeridade, associada à experiência da arte contemporânea, pode transformar-se e enraizar-se no território”, realça John Romão.

5. Angélica Liddell


A controversa artista espanhola estreia na Sala do Capítulo do Mosteiro de Tibães, em Braga, nos dias 26 e 27 de abril, Lo Frio y Lo Cruel, peça em que se confronta com a perda recente dos pais. Liddell inspira-se no livro homónimo de Gilles Deleuze, uma análise do conceito de sadomasoquismo, e “foca-se na parte literária e artística das perversões”, para apresentar as relações filiais e “exorcizar no próprio corpo, biográfico e transgressor, as vísceras dessa relação”.

6. Gonçalo M. Tavares & Os Espacialistas


O Teatro da Trindade, em Lisboa, acolhe, a 26 de março, Laboratório de Formas de Sentir Acima da Média, três performances inéditas construídas pelo escritor Gonçalo M. Tavares e pelo coletivo Os Espacialistas, a partir do tema Os Animais e o Dinheiro. A nova criação chegará depois ao Porto (30 mar) e a Braga (13 abril).

7. Artistas residentes


Marlene Monteiro Freitas, Horácio Frutuoso, Diana Policarpo e Gerard & Kelly são os artistas residentes da bienal. “Trabalham em territórios artísticos e formatos de apresentação muito distintos”, adianta John Romão. Marlene cria uma instalação para o Mosteiro de S. Bento da Vitória, no Porto; Horácio inspira-se num vídeo de Helena Almeida e concebe esculturas-instalações para a Estufa Fria, em Lisboa; Diana fixa obras sonoras no GNRation, em Braga; e a dupla norte-americana apresenta State Of no MAAT, em Lisboa, projeto em torno do pole dance.

Gerard & Kelly apresentam "State Of" no MAAT, em Lisboa

Gerard & Kelly apresentam "State Of" no MAAT, em Lisboa

BoCA - Bienal de Artes Contemporâneas > Lisboa, Porto e Braga > 15 mar-30 abr > programa completo em http://bocabienal.org/