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Em "Arquitetura da Vida", no MAAT, Carlos Bunga traça uma panorâmica do trabalho realizado, na maioria fora de Portugal

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Uma revisão dos dez anos de carreira serve de bom pretexto para Carlos Bunga mostrar mais paisagens arquitetónicas com materiais quotidianos. Arquitetura da Vida. Ambientes, Esculturas, Pinturas e Filmes está em exposição no MAAT, em Lisboa, até 20 maio

"Arquitetura de Vida" é a primeira grande exposição da obra de Carlos Bunga

"Arquitetura de Vida" é a primeira grande exposição da obra de Carlos Bunga

Bruno Lopes

Uma certa ideia de reverso, de revelação das costuras, de laboratório a céu aberto atravessa a mente de quem se confronta com as obras mais reconhecíveis deste artista plástico português, a viver em Barcelona. Os seus materiais são habitualmente coisas ignoradas, que servem para guardar objetos mais preciosos, matérias associadas à construção e transição – qualidades que, aliás, migram para o seu trabalho final. Estruturas criadas em cartão prensado, agarradas (desenhadas?) com fita-cola, pintadas num esquema cromático aparentemente anárquico (a recordar outra dimensão temporária: a arte de rua), erguem-se, construídas e desconstruídas. É toda uma paisagem que evoca a lógica arquitetónica e tenta ocupar o espaço com maquetas gigantes. São projetos site-specific que, confessa o artista, nascem de forma algo improvisada, orgânica; sessões de free jazz a três dimensões, arriscar-se-ia. E é entre a instalação, a escultura, a pintura, o vídeo, a performance que Carlos Bunga criou um lugar fascinante e resolutamente seu.

Em Arquitetura da Vida, o artista refaz os passos da última década e oferece uma panorâmica do trabalho realizado, na sua maioria fora de Portugal, que inclui igualmente documentos e filmes das suas atuações e ações performáticas, permitindo uma visão de conjunto dos processos criativos e da obra, da escala miniatural até à monumentalidade atingida. Tudo começa com uma obra carregada de simbolismo e de biografia: uma pequena maqueta de habitação social onde Carlos Bunga cresceu. Uma mostra complementar está agendada para a Fundação Carmona e Costa, onde serão revelados desenhos do artista.

Arquitetura da Vida. Ambientes, Esculturas, Pinturas e Filmes > MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia > Av. Brasília, Central Tejo, Lisboa > T. 21 002 8130 > 23 jan-20 mai, qua-dom 11h-19h > €5