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Nove (bons) motivos para visitar Serralves em 2019, um ano de comemorações

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Joana Vasconcelos, Olafur Eliasson, Pedro Cabrita Reis e (finalmente!) a abertura da Casa do Cinema Manoel de Oliveira vão marcar este ano muito especial na vida de Serralves – assinalam-se os 20 anos do Museu e 30 da Fundação. Ainda não foi anunciado quem será o sucessor de João Ribas, ex-diretor do Museu

A exposição Joana Vasconcelos: I’m Your Mirror inaugura no Museu de Serralves no dia 14 de fevereiro

A exposição Joana Vasconcelos: I’m Your Mirror inaugura no Museu de Serralves no dia 14 de fevereiro

DR

1. O regresso de Joana Vasconcelos

Do Museu Guggenheim de Bilbao chega a exposição Joana Vasconcelos: I’m Your Mirror, primeira antológica da artista, cujo título é uma homenagem a Nico, a cantora alemã celebrizada pela música I'll be your mirror, escrita por Lou Reed e interpretada pela banda norte-americana Velvet Underground. A vinda da exposição tem estado envolta em alguma polémica, com nenhum dos dois anteriores diretores do Museu a assumi-la oficialmente. Nesta sexta-feira, 25, durante a apresentação da programação aos jornalistas, Ana Pinho, Presidente do Conselho de Administração da Fundação de Serralves, afirmou que a exposição estava a ser “trabalhada há bastante tempo por várias pessoas”. “Foi proposta pelo Guggenhein de Bilbao, apresentada ao conselho [administração] pela anterior diretora [Suzanne Cotter] e depois foi assumida pelo diretor que, entretanto, saiu [João Ribas] e concluída agora pela equipa liderada pela diretora interina [Marta Moreira Almeida]”. Tal como em Bilbao, também em Serralves as obras de Joana Vasconcelos serão adaptadas à escala das galerias do museu, de modo a receber a artista portuguesa que aqui expôs em 2000. Depois de Serralves, a exposição seguirá para o Kunstahl Rotterdam, em Roterdão, na Holanda. 14 fev-final de junho

José Carlos Carvalho

2. Casa do Cinema Manoel de Oliveira

Apontada para o primeiro semestre deste ano (abril é a data prevista), a inauguração da Casa do Cinema Manoel de Oliveira (CCMO), projeto de Álvaro Siza que recuperou as antigas garagens do Conde de Vizela, , é um dos pontos fortes da programação deste ano. Além de uma exposição permanente dedicada ao realizador português, falecido em 2015, a CCMO terá uma sala de cinema com programação regular, duas salas de exposições (uma temporária, outra permanente), a guarda do acervo documental de Manoel de Oliveira (depositado em Serralves em 2013 e que se encontra a ser tratado), e salas de serviço educativo. A exposição permanente “permitirá uma visão de conjunto de Manoel de Oliveira, e ao mesmo tempo um olhar transversal sobre o cinema do realizador”, disse António Preto, diretor da Casa de Cinema. A primeira mostra temporária, Manoel de Oliveira – A Casa (entre abril e setembro), debruça-se sobre “a presença da casa no cinema de Manoel de Oliveira e as múltiplas representações da casa na obra do realizador”, continuou o diretor. Em Carta Branca a Álvaro Siza (abril), o arquiteto selecionará um conjunto de filmes centrados nas representações de uma casa no cinema. Da programação, constam ainda a primeira exposição de Eugène Green, cineasta americano radicado em Paris (setembro-dezembro), a exibição diária de filmes do cineasta (a maioria legendados em inglês), cinema de animação – em junho, apresenta-se o trabalho da portuguesa Regina Pessoa (com a estreia do filme Tio Tomás) e da húngara Reka Bucsi –, cinema ao ar livre (julho) e conferências. Data prevista: abril

3. Coleção de Serralves

A celebração dos 30 anos da Fundação de Serralves e dos 20 anos do Museu de Serralves servirá para mostrar “as obras que foram sendo adquiridas ao longo destas três décadas”, revelou Marta Moreira de Almeida, diretora interina do museu. A primeira exposição será a da artista norte-americana Susan Hiller (a partir de 28 fevereiro), que esteve em Serralves, em 2005, que ali apresentará a instalação interativa Os Pensamentos São Livres – a partir de uma jukebox, o publico pode escutar 100 canções de teor político colecionados pela artista. De volta ao museu, 15 anos depois, estará também Paula Rego, numa exposição monográfica com obras da artista no núcleo da Coleção realizadas desde os anos 60 até à atualidade (a partir do outono, até 2020). Durante o verão (entre julho e setembro), a exposição Celebrar a Coleção, Serralves 1989-2019 assinala também os aniversários do ano.

O arquiteto Álvaro Siza Vieira

O arquiteto Álvaro Siza Vieira

4. Álvaro Siza

A exposição Álvaro Siza: (In)disciplina presta homenagem ao percurso criativo com mais de seis décadas do arquiteto, autor do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, inaugurado há 20 anos. A mostra, comissariada por Nuno Grande com Carles Muro, parte de apontamentos escritos ou desenhados entre as décadas de 1950 e 2010. Setembro-janeiro 2020

5. Pedro Cabrita Reis

Um dos primeiros artistas portugueses a expor em Serralves, logo após a abertura do museu, depois da exposição Circa 68, Pedro Cabrita Reis regressa em outubro com uma exposição em nome próprio. Uma mostra antológica desde a década de 80 até aos nossos dias –, concebida para o museu, que vai traduzir a relação do artista com os espaços museológicos. Outubro-início 2020

O artista Olafur Eliasson foi o autor de uma gigantesca cascata artificial no Grand Canal do Palácio de Versailles, em França

O artista Olafur Eliasson foi o autor de uma gigantesca cascata artificial no Grand Canal do Palácio de Versailles, em França

6. Parque em grande escala

Cabe ao dinamarquês Olafur Eliasson a grande exposição deste ano no Parque, que sucede à de Anish Kapoor. O artista, conhecido pelas peças em grande escala – nomeadamente, o projeto The Weather Project na Turbine Hall da Tate Modern, em Londres, e, em 2016, uma gigantesca cascata artificial no Grand Canal do Palácio de Versailles, em Paris –, inclui, nos seus trabalhos, materiais elementares como luz, água, humidade e temperatura do ar. Outra das novidades deste ano será a inauguração do Tree Top Walk, uma estrutura de madeira que está a ser desenhada pelos arquitetos Carlos Castanheira e Álvaro Siza, que permitirá ao público a observação da biodiversidade do Parque a partir da copa das árvores. Olafur Eliasson a partir jul

7. O ano das mulheres?

O ano começa com a britânica Tacita Dean que inaugura uma exposição já no dia 29 de janeiro, regressando a Serralves por onde passou em 2002. Nessa altura, inspirou-se no museu e na casa para a realização do filme, Boots (2003), que será exibido durante esta mostra, assim como Antígone (2018), um dos mais recentes trabalhos, além de dois desenhos de lousa em grande escala característico da artista. Depois de Joana Vasconcelos (fev), será a norte-americana Joan Jonas, pioneira da performance, da videoarte e do multimédia, a ter em Serralves a exposição mais completa da artista organizada na Europa, com trabalhos desde os anos 60 até aos mais recentes. Joan Jonas verá ainda algumas das suas performances mais icónicas – Mirror Piece e Delay Delay – serem representadas no Parque, Museu e ainda numa praia da cidade (24 mai-2 jun). Tacita Dean > 29 jan-5 mai; Joan Jonas > 25 mai-2 set

8. Artes performativas

Da dança à performance, da música experimental ao jazz, muitos artistas fazem parte da programação deste ano. Entre eles, a artista visual norte-americana e coreógrafa Maria Hassabi (3 fev), a escritora, artista multimédia e ativivista norte-americana Julianna Huxtable (28 fev), a artista pioneira da arte sonora Christina Kubisch (jun-jul), a coreógrafa e ativista sul-africana Robyn Orlin (19 mar). Por Serralves, passa ainda o Festival Dias da Dança (28 abr-5 mai) e o Museu como Performance (set). Na música, e além do Jazz no Parque (jul), há, ainda, lugar para o compositor Alessandro Bosetti (17-21 out) que foi desafiado a adaptar o seu projeto para rádio Regular Measures numa instalação performativa. Em ano particularmente festivo, o Serralves em Festa acontece de 30 de maio a 2 de junho e a Festa de Outono nos dias 28 e 29 de setembro.

9. Os emergentes

Inserido nos projetos contemporâneos, a galeria contemporânea do museu apresentará o trabalho de dois artistas emergentes: o portuense Horácio Frutuoso (21 fev) e a croata Nora Turato (set).

Museu de Arte Contemporânea de Serralves > R. D. João de Castro, 210, Porto > T. 22 615 6500 > seg-sex 10h-18h, sáb-dom-fer 10h-19h