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'Transantiquity': Pensar o nosso tempo na Galeria Municipal do Porto

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Há colunas em gesso, um teclado de computador, um edifício “absurdo”, lamparinas de azeite, alguns slides e vídeos. Com eles, Filipa Oliveira e Guilherme Blanc, os curadores da exposição Transantiquity, abrem o debate sobre o legado da Antiguidade Clássica e a sua presença na atualidade, na Galeria Municipal do Porto até 17 de fevereiro

Benoît Maire propõe o encontro entre dois tempos

Benoît Maire propõe o encontro entre dois tempos

Filipa Brito

Ana Vieira, Benoîte Maire, Derek Jarman, Fernando Lanhas, Francisco Tropa, Gabriele de Santos, Jeronimo Voss, Pablo Bronstein e Guan Xiao são alguns dos artistas convocados por Filipa Oliveira e Guilherme Blanc, os curadores da exposição Transantiquity que, até 17 de fevereiro, ocupa os dois pisos da Galeria Municipal do Porto. O projecto expositivo, que inclui obras de 21 artistas, abre o debate sobre a presença do legado da Antiguidade nos nossos dias.

“É uma reflexão sobre a forma como a Antiguidade se manifesta no tempo contemporâneo”, diz Guilherme Blanc, “a partir da prática artistica deste conjunto de criadores”. Sem avançar com uma tese, procura-se nesta exposição levantar questões a partir de preceitos filosóficos, éticos e estéticos que acompanham a sociedade há muitos séculos. Entre eles está o papel da mulher, a sexualidade, a economia e a identidade cultural. “É um confronto para repensar os pilares e preceitos que estão na base”, frisa o curador.

Lamparina de azeite em forma de concha (2016), de Francisco Tropa, é uma das peças que nos transporta para um universo sem tempo

Lamparina de azeite em forma de concha (2016), de Francisco Tropa, é uma das peças que nos transporta para um universo sem tempo

Filipa Brito

Sem um percurso definido, apenas insinuado pela folha de sala, os objetos acomodam-se sem interferirem entre si. As janelas foram encerradas e a iluminação direcionada para as obras. Há colunas e peças de gesso, um teclado de computador, fotografias, lamparinas, um edifício “absurdo”, alguns slides e vídeos. “É uma escolha curatorial de artistas que acabam por tocar em questões pertinentes deste universo conceptual”, avança Guilherme Blanc.

As imagens, a voz de algumas personagens e a música acompanham toda a exposição. Do artista e realizador britânico Derek Jarman, cuja obra aborda questões políticas fraturantes, podemos ver um excerto do filme Jubilee (1978), que revisita a música patriótica Rule Britannia. As lanternas de azeite de Francisco Tropa, inspiradas nas lampadas romanas, mostram “um tempo líquido que é queimado lentamente em cada um dos pavios” e surgem ao lado da representação esquemática de algumas modernas teorias sobre a origem do universo de Fernando Lanhas.

A primeira visita orientada por Guilherme Blanc, neste sábado, 12, às 16 horas, dá início ao programa de atividades paralelo à exposição. Há ainda um segundo percurso guiado, já agendado para 2 de fevereiro, que será conduzida por Filipa Oliveira, também curadora de Transantiquity.

Run, run,ruuuuuuuuun (2018), de Gabriele de Santis

Run, run,ruuuuuuuuun (2018), de Gabriele de Santis

Filipa Brito

Transantiquity > Galeria Municipal do Porto > Biblioteca Almeida Garrett, Jardins do Palácio de Cristal > R. D. Manuel II, Porto > T. 22 608 1000 > Até 17 fev > ter-sáb 10h-18h, dom 14h-18h > Grátis