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Poesia e função na exposição "Japanese Design Today / 100", no Porto

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Beleza sempre associada à função, em todas as dimensões do quotidiano, é um mantra que os designers do Japão sempre seguiram à letra, como se observa em Japanese Design Today / 100, exposição com 100 objetos na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Para ver até 15 de dezembro

Nada é demasiado pequeno, banal ou insignificante que não seja pensado, desenhado e elevado através do rigor estético, do gesto artístico. Este belo ideal é exercido com brio secular no Japão, uma militância de que poucos países podem gabar-se. Cem provas desse paradigma cultural alinham-se em Japanese Design Today/100, exposição itinerante organizada pela Japan Foundation que agora chega ao Porto. Reunindo peças de design do século XXI, assim como produtos dos anos 1950 a 1990 cuja influência se estende até hoje, a mostra tem vários objetos reconhecíveis, toda uma iconografia corrente que vai da cozinha ao escritório, da rua às passerelles, da infância à idade adulta, dos rituais domésticos aos cenários de catástrofe.

Arrumada de forma racional, indutora de observação minuciosa, a exposição nivela a importância dos objetos apresentados. Muitos reconhecerão, por exemplo, o toque do nipónico Issey Miyake nas luminárias Mogura e no vestido Nº 1 aqui apresentados: o designer octogenário criou roupas influenciadas pela tecnologia, como esses plissados em formas geométricas que desafiam gravidade e amarrotamentos. Kosuke Tsumura talvez seja mais difícil de identificar: é deste designer (ex-colaborador de Miyake) Final Home, casaco impermeável de cor laranja dotado de grandes bolsos, que podem ser verdadeiras bagageiras portáteis, inspirado nos sem-abrigo e pensado como solução para enfrentar tragédias (a que se juntaram mais peças de vestuário na série Mother). E quem saberia dizer o nome do criador do relógio de cabeceira minimalista – círculo branco com algarismos em relevo e dois ponteiros negros − que é um clássico do género? É Riki Watanabe (1911-2013).

Mas há mais para (re)ver: as linhas elegantes da câmara fotográfica Nikon FM10, a simplicidade do frasco de soja da Kikkoman, o omnipresente bule de ferro para chá, o famoso Walkman da Sony criado em 1979 por Nobutoshi Kihara para um colega que desejava ouvir ópera durante o expediente, a bicicleta de madeira para crianças Bent Wood Type-01 (Good Design Award 2011), o planetário Homestar Classic produzido pela Sega Toys, o comboio de alta velocidade Shinkansen Serie N700... Poesia e função.

Japanese Design Today / 100 > Pavilhão de Exposições da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto > Av. Rodrigues de Freitas, 265, Porto > T. 22 519 2400 > 16 nov-15 dez, ter-sáb 14h30-18h30 > grátis