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"Paradisaea": 20 anos de memórias do Lux em exposição

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Como expor 20 anos de histórias de um lugar da noite? O designer Fernando Brízio chama ao Lux Frágil uma “obra de arte total” e, a partir do seu acervo, organizou memórias em três salas do Hub Criativo do Beato, em Lisboa. A mostra abre ao público esta quarta, 12

A criatividade do design gráfico − tanto da programação mensal como dos sempre originais convites paras as célebres festas de aniversário − é um dos pratos fortes da exposição

A criatividade do design gráfico − tanto da programação mensal como dos sempre originais convites paras as célebres festas de aniversário − é um dos pratos fortes da exposição

Susana Pomba

O cartaz da exposição

O cartaz da exposição

Divulgacao

Quando Rui Reininho cantava o verso “Ena pá que luxo!”, em Dupont & Dupond, do mítico álbum dos GNR Independança, saído em 1982, o Lux era só uma gigantesca utopia praticamente irrealizável (mas onde essa música ficaria, diga-se, muito bem). Na verdade, tudo começou nesse mesmo ano, com a abertura de portas do Frágil, na Rua da Atalaia, Bairro Alto, semente do que viria a ser o Lux Frágil, inaugurado à beira-Tejo no dia 29 de setembro de 1998.

Olhar para os 20 anos do Lux é reconhecer-lhe, ainda, essa dimensão utópica. Parece um desses projetos sonhados em conversas de noites ébrias e que se confrontam com todas as impossibilidades práticas à luz do dia. A diferença, neste caso, é que houve alguém com o poder e o talento para, passo a passo, concretizar ideias ambiciosas – o seu nome é Manuel Reis. Muito mais do que um bar/discoteca, este espaço tornou-se uma plataforma que convocou e motivou criadores das mais variadas artes e proveniências – design, artes plásticas, música, arte digital, videoarte, até literatura (o Lux chegou a editar uma espécie de jornal/fanzine). Ou, nas palavras do designer Fernando Brízio, curador da exposição Paradisaea: “Um edifício em estado de abandono tornou-se, através da visão de Manuel Reis, um vibrante espaço de referência global.” É a concretização dessa “visão” ao longo de 20 anos que agora se celebra em três salas nos antigos celeiros da Manutenção Militar, hoje integrados no Hub Criativo do Beato. Faz sentido que esta exposição ali aconteça porque em 1998, ano da Expo, o Lux teve uma grande responsabilidade na nova relação dos lisboetas com a zona oriental da cidade. E o que se pode ver nessas três salas? Cada uma tem o seu papel específico. Na primeira estarão “elementos gráficos, de arquitetura, de desenhos, maquetes, fotografias, a parte digital...”, revela Brízio à VISÃO Se7e. A segunda será dedicada “à imagem em movimento, com muitos vídeos, mas todos muito distintos uns dos outros.” Na última, certamente a mais espetacular visualmente, podemos encontrar objetos e adereços que marcaram a identidade visual do Lux ao longo destas duas décadas – “uma sala mais onírica”, diz o curador. Uma das marcas do Lux Frágil foi sempre – e é ainda − a promessa de surpresas, a mudança permanente numa espécie de horror ao imobilismo e à cristalização de ideias. Como expor esse espírito alimentado por noites e madrugadas, efémeras e fugazes por definição? Olhando para o Lux como uma “obra de arte total, que integra luz, som, imagem, palavra, corpo, movimento e comunicação”, diz Fernando Brízio. “Como Bowie, o Lux parece um camaleão.”

Uma imagem de 2016

Uma imagem de 2016

LUISA FERREIRA

Paradisaea > Hub Criativo do Beato > R. da Manutenção, 122, Lisboa > 12 set-11 nov, seg-qui 14h-19h, sex 14h-21h, sáb 12h-21h, dom 12h-19h > grátis