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"Philip Seymour Hoffman, Por Exemplo", pensar sobre a identidade e a fama no Festival de Almada

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Em palco, uma reflexão sobre identidade, estrelato e mediatismo assinada pelo coletivo teatral belga Transquinquennal. Philip Seymour Hoffman, Por Exemplo é apresentada esta terça. 10, no Festival de Almada

"Philip Seymour Hoffman, Por Exemplo", escrita pelo argentino Rafael Spregelburd, é apresentada esta terça, 10, no contexto do Festival de Teatro de Almada, na Escola D. António da Costa

"Philip Seymour Hoffman, Por Exemplo", escrita pelo argentino Rafael Spregelburd, é apresentada esta terça, 10, no contexto do Festival de Teatro de Almada, na Escola D. António da Costa

D.R.

Sinal verde, passa; sinal verde, passa; sinal vermelho, para e abre o saco. Na qualidade de não-lugares, o controlo de segurança e restantes espaços públicos do aeroporto são pautados por rituais de passagem, de constante movimento e fluxo. É assim que começa a peça do coletivo belga Transquinquennal intitulada Philip Seymour Hoffman, Por Exemplo, escrita pelo argentino Rafael Spregelburd, que é apresentada esta terça, 10, no contexto do Festival de Teatro de Almada, na Escola D. António da Costa. Em palco, está dado o mote para a fluidez a que vamos assistir durante o resto da peça: cinco atores desdobram-se em 45 papéis, repartidos por três grandes blocos narrativos.

Identidade e mediatismo são dois monstros em constante relação e confronto. “Como seres humanos, o sentimento que temos de nós mesmos só nos pode surgir pela maneira como os outros olham para nós”, refere Miguel Decleire, um dos coencenadores e intérpretes da peça. “É da lacuna entre a imagem que os outros nos dão como feedback e a nossa inquietação em recebê-la que nasce o nosso sentido de identidade, de singularidade. Mas talvez seja uma ilusão. Como poderemos saber? O estrelato é uma hipérbole deste mecanismo”, continua. “Uma pessoa busca o maior reconhecimento possível enquanto singularidade e, ao fazê-lo, pode acabar desapossada dela. A sua imagem deixa de lhe pertencer porque se torna um modelo, um espelho através do qual o público procura identificar-se.” Decleire acrescenta que escolheram a figura de Philip Seymour Hoffman pela sua versatilidade em interpretar personagens díspares e por se identificarem com ele, tanto enquanto atores como enquanto público.

Câmaras em palco e projeções desmultiplicam a possibilidade de cenários e dão várias camadas a uma ideia de sobreposição e/ou anulação de identidades. Como uma das personagens diz na peça: “Estamos completamente vazios por dentro. Dentro, há apenas o que os outros colocaram para poderem comunicar-se connosco.”

Philip Seymour Hoffman, Por Exemplo > Escola D. António da Costa > Av. Prof. Egas Moniz, 22A, Almada > T. 21 272 3600 > 10 jul, ter 22 > €15