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Anish Kapoor: Entre o céu e o jardim de Serralves

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A primeira exposição em Portugal do escultor indiano-britânico, reconhecido pelas obras monumentais, apresenta peças nunca antes realizadas. Para ver no Parque de Serralves a partir desta sexta, 6

Anish Kapoor está no Porto para a inauguração daquela que é a sua primeira exposição em Portugal. No Parque de Serralves, o artista indiano-britânico observa a peça feita em 2015 e que leva nome de 'Sectional Body preparing for Monadic Singularity'

Anish Kapoor está no Porto para a inauguração daquela que é a sua primeira exposição em Portugal. No Parque de Serralves, o artista indiano-britânico observa a peça feita em 2015 e que leva nome de 'Sectional Body preparing for Monadic Singularity'

Lucilia Monteiro

Há que percorrer os 18 hectares do Parque de Serralves para enfrentar os trabalhos de Anish Kapoor. “Enfrentar” não é termo excessivo para descrever a aproximação à obra do escultor nascido em Bombaim, em 1954, radicado em Londres e disseminado a nível global: Kapoor cria obras monumentais e misteriosas que atraem e envolvem o público numa relação umbilical, íntima e reflexiva. A contemplação pelo outro completa os sentidos da obra; a presença humana acentua a (diferença de) escala e expande a meditação sobre espaço e corpo, infinitude e vazio, dimensão telúrica e sensualidade. Recordem-se exemplos como a colossal Marsyas (2002) no Tate Modern Turbine Hall, em Londres, as curvas espelhadas de Cloud Gate (2004), em Chicago, e ainda Eyes Turn Inward (1961), no Museu Coleção Berardo: duas semiesferas vermelhas na parede, uma em frente da outra, geradoras de intensa (in)comunicabilidade.

Muitas das esculturas apresentadas nesta imperdível Anish Kapoor: Obras, Pensamentos, Experiências são recentes, e algumas nunca antes realizadas. A monumentalidade e o arrojo cromático destas geometrias subvertidas implicam transfiguração de território: uma obra de Kapoor nunca é algo apenas “colocado” num lugar: torna-se um vórtex que altera equilíbrios entre terra e céu, um agente transfigurador da paisagem (literalmente), um monumento futurista. E a sensação é a de se estar perante artefactos alienígenas à espera de decifração – ou de rastos humanos futuristas. Como em Sectional Body Preparing for Monadic Singularity (2015), peça que esteve exposta nos jardins do Palácio de Versalhes: cubo vermelho gigante, um portal sensorial. Ou Descent into Limbo (1992): casa-templo de cimento ornada com uma única porta, guardadora de um buraco negro no chão. Ou ainda Sky Mirror (2006), disco-espelho refletor do céu em perpétuo movimento, dispositivo de deuses.

Em diálogo com as obras patentes no parque de Serralves, haverá ainda uma exposição de maquetas que desvenda os processos de pensamento, escolha dos materiais e vocação experimental deste artista, assim como os desafios que a sua concretização coloca.

Anish Kapoor: Obras, Pensamentos, Experiências Porto > Museu de Serralves > R. Dom João de Castro, 210, Porto > T. 22 6156 500 > 6 jul-6 jan > €5 a €10