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A história dos África Negra conta-se ao vivo no B.Leza, em Lisboa

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O lendário grupo são-tomense está de regresso a Portugal para um concerto único esta sexta, 22, no B.Leza

O recente, e cada vez mais forte, revivalismo da antiga música africana dos países lusófonos – por músicos e fãs que, na sua maioria, ainda nem eram nascidos aquando da independência das ex-colónias – tem recuperado muitos tesouros já quase esquecidos. É o caso do Conjunto África Negra, um dos grupos mais importantes da música de São Tomé e Príncipe, onde se formou em 1974, um ano antes 
da independência deste pequeno país africano. Apesar de depressa se ter tornado um dos mais amados 
e conhecidos grupos de São Tomé, demorou a atingir o reconhecimento além-fronteiras. Começou por se apresentar no denominado circuito dos “fundões” da capital São Tomé, como eram conhecidos os bailes ao ar livre, organizados pelas diferentes comunidades locais – os mestiços, descendentes de portugueses e escravos africanos; os angolares, descendentes 
de escravos angolanos naufragados que se fixaram em comunidades piscatórias; e os descendentes de cabo-verdianos 
e moçambicanos, contratados para trabalhar nas plantações de café e cacau.

No início dos anos 80, um convite da Rádio Nacional de São Tomé permitiu--lhe gravar os primeiros temas de um repertório composto por quase meia centena de canções. Sempre liderada por um núcleo duro composto por Emídio Vaz (guitarra solo), Leonildo Barros (guitarra ritmo) e João Seria (voz), a banda começou também a ganhar popularidade no espaço lusófono, incluindo Portugal, onde chegou a editar os álbuns Angélica, Alice e África Negra 83, três trabalhos que são hoje verdadeiras raridades, atingindo valores exorbitantes nas plataformas de compra e venda de discos antigos, de vinil. 
Os África Negra chegariam ao fim 
em meados da década de 90, voltando 
a reunir-se de forma intermitente, 
para recordar esses tempos áureos, 
em concertos que se tornaram também eles lendários, nos quais usavam os mesmos instrumentos e material dos anos oitenta, como os amplificadores Marshall e os pedais de guitarra, considerados um dos segredos do singular som da banda. Atualmente, os África Negra são compostos por seis músicos, três deles membros da formação original: o vocalista João Seria, o guitarrista Leonildo Barros e o baixista Albertino, que se apresentam esta sexta, 22, no B.Leza, para um concerto único em Lisboa.

África Negra > B.Leza > Cais da Ribeira Nova, Armazém B, Lisboa > T. 21 010 6837 > 22 jun, sex 23h > €10