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O empoderamento artístico da 41ª edição do Festival Internacional de Expressão Ibérica

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Na 41ª edição, o Festival Internacional de Expressão Ibérica quer dar poder a quem normalmente não o tem. Começa esta terça, 12, e passará pelo Porto, Matosinhos e Viana do Castelo

"Mendoza", dos mexicanos Los Colochos

"Mendoza", dos mexicanos Los Colochos

Jaime Martin

Tem sido uma temática dominante na atualidade, a do empoderamento, especialmente no que se refere às mulheres, mas o FITEI quer ir mais longe 
e abarcar na sua programação minorias étnicas, pobres, indígenas e muitos outros exemplos, no sentido de uma distribuição mais vertical e democrática do poder. Quer, sobretudo, manter-se como “um espaço de empoderamento do próprio tecido artístico português e ibero-americano”, defende Gonçalo Amorim, diretor artístico do festival, que nesta 41ª edição “volta a morder os calcanhares à primeira divisão” no que à cultura diz respeito.

Desde logo, através de “um trabalho difícil de prospeção, para angariar bons aliados”, consegue apresentar atrativos internacionais, como Caranguejo Overdrive, da brasileira Aquela Companhia, Mendoza, dos mexicanos Los Colochos, e ainda A House in Asia, da espanhola Agrupación Serrano, um western cénico com muito humor, recriando a operação de caça dos norte-americanos a Bin Laden.

O olhar atento às criadoras nacionais renova-se no apoio, em coprodução com o Teatro Municipal do Porto, a estreias de quatro encenadoras de gerações distintas: Longe, 
de Raquel S.; De Onde Vens, de Ana Luena; Bela Adormecida, de Diana de Sousa; e Teoria das Três Idades, de Sara Barros Leitão, construída a partir do arquivo do Teatro Experimental do Porto. Serão também apresentados, pela primeira vez, Lulu, uma produção do Teatro Nacional São João, “sobre uma mulher e sobre o que é ser mulher nos dias de hoje, a partir de um olhar com mais de 100 anos, de Frank Wedekind”, como descreve o encenador Nuno M. Cardoso, assim como Provisional Figures, Great Yarmouth, o novo projeto de Marco Martins, baseado no testemunho de emigrantes portugueses que se mudaram para esta vila inglesa durante a crise económica. O empoderamento chegará ainda “às companhias descentralizadas que fazem um trabalho sério e continuado, como a Didascália e o Teatro do Noroeste”, refere Gonçalo Amorim, as quais trazem ao festival os espetáculos Prelúdio: A Mulher Selvagem 
e (I)Migrantes, colocando a periferia mais perto do centro.

FITEI > Teatros Municipais do Porto, Teatro Nacional São João, TeCA, Mosteiro São Bento da Vitória, Palácio do Bolhão, CACE Cultural, Teatro Municipal de Matosinhos, Casa das Artes de Felgueiras > T. 22 339 2201 > 12-22 jun > €20 e €30 (passes)