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Deus existe e é brasileiro? 12 anos depois, Chico Buarque regressa a Portugal

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Doze anos depois da última presença em palcos nacionais, o músico brasileiro está de volta para seis concertos em nome próprio, que servirão para apresentar o mais recente disco, “Caravanas”. Neste sábado, 2, e domingo, 3

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Poucos músicos conseguem este feito de, aos 73 anos, se manterem tão influentes quanto respeitados, tão atuais quanto fiéis ao que sempre foram. A idade, aliás, é algo em que ninguém pensa muito quando o assunto é Chico Buarque − mesmo quando apenas se fala da sua apetência para o pontapé na bola, nas habituais peladinhas com os amigos, das quais continua a não prescindir. Disse até que, podendo, trocaria toda a sua carreira pela oportunidade de poder participar, como jogador de futebol, num campeonato do mundo. Para quem o ouve, resta apenas agradecer aos céus que o talento para marcar golos não seja tão grande quanto o que tem para escrever canções e esperar que o momento de pendurar as chuteiras ainda esteja bem longe (afinal, ainda faltam muitos anos para os 95, a idade com que um dia vaticinou retirar-se). Fosse ele um futebolista e passaria hoje os dias a lembrar-se apenas das glórias passadas: da resistência à ditadura, das parcerias com as lendas Tom Jobim, Vinicius de Moraes ou Caetano Veloso e, especialmente, das canções maiores do que a vida que começou a escrever há mais de meio século – o primeiro álbum, homónimo, chegou em 1966. Mas em Chico Buarque, tal como, segundo consta, também acontece com Deus, o passado, o presente e o futuro continuam a confundir-se. Mais uma vez isso se comprovou com o seu último álbum, Caravanas, editado no final do ano passado, na ressaca de umas insólitas acusações de machismo, cuja melhor resposta foi a mesma música de sempre que, tal como antes, continua a soar a nova. É este disco que está na base do espetáculo que agora apresenta em Portugal, onde já não atua há 12 anos. O novo trabalho será interpretado na íntegra, mas também haverá tempo para recordar toda a obra de Chico Buarque, desde os anos 60 até ao presente, num espetáculo intemporal, igualmente dedicado a Wilson das Neves, o baterista, amigo e companheiro musical falecido em agosto do ano passado.

Chico Buarque > Coliseu do Porto > R. de Passos Manuel, 137, Porto > T. 22 339 4940 > 2 e 3 jun, sáb e dom 21h30 > €25 a €95