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"O Senhor Pina" põe o palco do Teatro Carlos Alberto de pernas para o ar

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A companhia de teatro Pé de Vento celebra 40 anos de existência homenageando Manuel António Pina, cúmplice de muitas peças e aventuras, a partir desta quinta, 10 de maio

Susana Neves

Durante uma longa parceria, Manuel António Pina escreveu para a Pé de Vento mais de 30 originais, apresentados pela companhia em estreias absolutas. O autor tornou-se o cúmplice perfeito do teatro idealizado pelos fundadores, dando ao texto “um papel fulcral, de modo a romper com a tradição do ‘teatro infantil’ que então se fazia, pobre em ideias e em imaginação”, recorda João Luiz, encenador e diretor artístico, no programa da peça. “Um teatro em que a palavra, além do seu poder narrativo, tivesse uma dimensão poética capaz de convocar as forças da imaginação, da fantasia, do sonho, do mistério, desencadeadoras de novas formas possíveis de representação teatral”, continua. Em O Senhor Pina, no lugar dos textos, convoca-se para o palco 
o escritor, o dramaturgo, o poeta e o amigo, confundindo-se as memórias de quem o conheceu com o imaginário dos livros. “Ele era tão inventivo e criativo como a sua própria escrita”, diz João Luiz à VISÃO Se7e.

O espetáculo adapta à cena o livro (O Senhor Pina) publicado, em 2013, por Álvaro Magalhães, poucos meses após a morte de Manuel António Pina, em sua homenagem. “Um retrato íntimo, sensível e bem-humorado do autor fundamental da nossa literatura infanto-juvenil”, descreve o seu amigo de longa data. Joanica-Puff, o famoso urso com poucos miolos, retirado do clássico da literatura infantil escrito por A. A. Milne (no original inglês, Winnie the Pooh), um dos livros preferidos de Pina, é o seu companheiro de palco nesta busca pela infância perdida, com uma simplicidade desarmante. As idiossincrasias do poeta, como a montanha de coisas sempre por fazer, a falta de pontualidade ou a disponibilidade para se perder pelas encruzilhadas da vida, são retratadas não de forma melancólica mas celebratória.

Teatro Carlos Alberto > R. das Oliveiras, 43, Porto > T. 22 340 1910 > 10-13 mai, qui 21h, sex 15h-21h, sáb 19h, dom 16h > €10