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Remade in Portugal: Uma década a mostrar que o design pode ser sustentável

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Os dez anos do projeto Remade in Portugal assinalam-se na Casa da Arquitetura, em Matosinhos, com uma exposição em forma de balanço, que nos propõe refletir sobre a sociedade de consumo

Conjunto de talheres Amicus do ateliê S.O.M.A.

Conjunto de talheres Amicus do ateliê S.O.M.A.

“Difundir a cultura do eco design” era (e continua a ser) o objetivo do Remade in Portugal desde que nasceu, em 2007. “Agora, parece quase óbvio falar sobre a reciclagem, o ambiente ou os pequenos gestos que podemos fazer nas nossas casas mas, naquela altura, não era bem assim”, recorda Roberto Cremascoli, arquiteto italiano e diretor-artístico do projeto.

A décima edição do Remade in Portugal – que, ao longo da última década, tem desafiando artistas, designers, arquitetos e ilustradores, a incorporar 50% (ou mais) de resíduos na matéria-prima dos seus produtos – apresenta-nos, a partir de sábado, dia 28, na Casa da Arquitetura, em Matosinhos, uma seleção de 40 peças icónicas “com dimensão doméstica” incluídas nas cerca de meia centena de exposições que percorreram o mundo (além de Portugal, passaram por Itália, Argentina, Rússia e China).

Banco Iberê desenhado por Álvaro Siza Vieira, inspirado na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, Brasil

Banco Iberê desenhado por Álvaro Siza Vieira, inspirado na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, Brasil

Nesta exposição retrospetiva, há peças, por exemplo, de Álvaro Siza (como o centro de mesa Unda ou o banco Iberê), de Eduardo Souto de Moura (o candeeiro de mesa Ice, feito do reaproveitamento da indústria do mármore), Ana Salazar (um par de sandálias em cortiça), Maria Gambina (um saco feito a partir de roupa interior), Rita Grazina (o cabide/toalheiro construído com correntes e pérolas de latão) ou de Nuno Sottomayor (um candeeiro de cortiça). Além de obras de Adalberto Dias, Carvalho Araújo, João Mendes Ribeiro, Manuel Aires Mateus, Júlio Dolbeth, Ricardo Dourado, Luís Buchinho, Francisco Providência, entre outros autores.

Esta exposição, organizada em conjunto pela Casa da Arquitetura, Fundação EDP e Agência Portuguesa do Ambiente, servirá “como um momento de reflexão” para repensar o futuro deste projeto que é, compara Roberto Cremascoli, uma “metáfora do cruzamento entre as artes” como a arquitetura, o design, a ilustração, o cinema ou a fotografia. A décima edição leva o subtítulo metafórico “Não cobiçar as coisas alheias”, como se nos lançasse um apelo: “O desejo das coisas alheias é o desejo de um futuro melhor, o luxo para todos”, acredita Cremascoli.

Sandálias em cortiça de Ana Salazar

Sandálias em cortiça de Ana Salazar

michele tabozzi

Remade X – Não cobiçar as coisas alheias > Galeria da Casa > Casa da Arquitetura > Av. Menéres, 456, Matosinhos > T. 22 240 4663 > 28 abr-1 jul > ter-sex 10h-19h, sáb-dom 10h-20h > €2