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"Os Universalistas": 50 anos da arquitetura portuguesa num retrato de grupo

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Já mostrada em Paris, chega finalmente a Portugal esta sexta, 13, a exposição Os Universalistas que contempla meio século de pensamento e produção arquitetónica portuguesa. Para ver na Casa da Arquitetura, em Matosinhos, até 19 de agosto

Museu Marítimo, Ílhavo, 1999-2012

Museu Marítimo, Ílhavo, 1999-2012

“Não vale a pena matar o pai”, defende à VISÃO Se7e o arquiteto Nuno Grande. 
O contexto é importante para entender a frase edipiana q.b.: a arquitetura portuguesa foi feita por profissionais que incorporaram a herança e a experiência da geração anterior, defende o curador de Os Universalistas. Um ciclo que, suspeita este académico, autor e programador, está a findar, já que os arquitetos nascidos pós-1960 organizam-se de outra forma, fundando coletivos autónomos. Revisitando cinco décadas de práticas, produção e pensamento da arquitetura nacional, a presente exposição ambiciona testemunhar tanto o modo como a disciplina foi marcada pela história política, social e cultural do País, como, inversamente, a sua influência na sociedade. E mostrar ainda que há um “universalismo particular” na maneira como os arquitetos portugueses têm criado a sua obra: uma dialética entre autoria e tradição arquitetónica e as culturas e contextos dos lugares – ou seja, uma articulação entre global e local. Um universalismo que, aqui, reclama o mesmo reconhecimento dado, por exemplo, à vocação universalista da diáspora e da literatura portuguesas.

Os Universalistas assume, assim, uma dimensão multimédia e aberta: entre os materiais referentes a 50 projetos (maquetas, desenhos técnicos e fac-símiles de esquissos e esboços), alinham-se textos tutelares de Eduardo Lourenço, cartoons politizados de João Abel Manta, fotografias-testemunhos de Alfredo Cunha. “Há um desejo de quebrar todos os muros e paredes”, confirma o curador. Organizada em cinco fases – a influência do internacionalismo moderno e do nacionalismo no fim da ditadura (1960-1974); o colonialismo (1961-1975); a Revolução dos Cravos (1974-1979); a integração de Portugal na Comunidade Europeia (1980-2000); o impacto da globalização (desde 2001) – a exposição abrange referências como Álvaro Siza (o “grande pai”), Fernando Távora, Souto de Moura, Carrilho da Graça, e nomes das últimas décadas, nomeadamente a dupla Aires Mateus.

Fernando Távora, Álvaro Siza Vieira, um grupo de arquitetos portugueses em viagem pela Grécia, verão de 1976.

Fernando Távora, Álvaro Siza Vieira, um grupo de arquitetos portugueses em viagem pela Grécia, verão de 1976.

Arquivo pessoal do Arquiteto Alexandre Alves Costa

Os Universalistas > Casa da Arquitetura > Av. Menéres, 456, Matosinhos > T. 22 240 4663 > 13 abr-19 ago, ter-sex 10h-19h, sáb-dom 10h-20h > €5