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'Um Imaginário Termodinâmico': As estruturas flutuantes de Tomás Saraceno aterraram no MAAT

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O artista argentino revela uma instalação “site-specific”, imersiva, futurista, utópica, na Galeria Oval do MAAT. Um manifesto ecológico para os humanos

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Studio Tomás Saraceno

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\302\251 Photography by Stefan Altenburger

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\302\251 Photography by Studio Tom\303\241s Saraceno

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Studio Tom\303\241s Saraceno

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Voar é uma das utopias que definem o homem. Ícaros, sempre olhámos para os céus em busca de outros horizontes, da superação dos limites humanos. Bartolomeu de Gusmão, no século XVIII, ou, décadas mais tarde, os irmãos Montgolfier são parte desse ímpeto de elevação, de coreografia coletiva antigravidade. Os grandes zepelins, que não vingaram como estratégia dominante de transporte, ainda hoje fazem sonhar: são uma representação romântica da Ciência, equivalem ao maravilhamento semelhante à visão de um grande cetáceo nas profundezas, a lentidão e a grande escala a efetuarem uma desaceleração da realidade.

Um mesmo eco visionário também é encontrado no trabalho do artista argentino Tomás Saraceno, dedicado a criar esculturas flutuantes gigantes (elaboradas em parceria com equipas científicas, como o MIT e a NASA) que renunciam ao hélio ou ao combustível e permitem transportar pessoas pelo ar. Mais: pretendem transformar-se, num futuro, em espaços habitáveis, as Cloud Cities (Cidades-Nuvens). Este corpo de trabalho utópico, multidisciplinar, ecológico e futurista está integrado num projeto de investigação deste artista, denominado Aeroceno - classificação de um novo tempo em que a raça humana poderá vir a habitar estas estruturas aéreas, e que se constituiria como uma nova era geológica pós-antropoceno, que foi definido pelo impacto humano na Terra e pelo movimento da industrialização. A constelação de esferas de Um Imaginário Termodinâmico é uma experiência imersiva composta por cerca de 16 trabalhos: alguns querem perscrutar os infrassons da Terra, outros sujeitam-se às leis eólicas, outros ainda são pensados para interpretar os dados da atmosfera, e outros esperam apenas pelo gesto humano... Todos apelam a um futuro, melhor e diferente, nos ares.

MAAT > Fundação EDP, Av. Brasília, Lisboa > T. 21 002 8130 > 21 mar-27 ago, qua-seg 11h-19h > €5