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À descoberta de Günter Grass, o artista

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Uma das facetas menos conhecidas do escritor, prémio Nobel da Literatura em 1999, é revelada na exposição Encontros, inaugurada esta sexta, dia 2, na Casa-Museu Guerra Junqueiro, no Porto

A exposição revela a diversidade de técnicas usadas pelo artista

A exposição revela a diversidade de técnicas usadas pelo artista

LUCILIA MONTEIRO

Muitos conhecem apenas as capas dos livros, feitas maioritariamente por Günter Grass (1927-2015). Aqui também são exibidas, mas há ainda desenhos, aguarelas, gravuras, esculturas e manuscritos - de traço impressivo, revelador da sua formação, inicialmente na Academia de Belas-Artes de Düsseldorf (1948-1952), depois na Escola Superior de Belas-Artes de Berlim (1952-1956). Curiosamente, lançou o primeiro livro, Die Vorzüge der Windhühner [As Vantagens dos Cataventos, sem tradução portuguesa], apenas em 1956, onde combina poesia, prosa e alguns desenhos. Um exemplo da máxima defendida pelo autor: “Um pintor que escreve é alguém que não muda de tinta”. Para Hilke Ohsoling, curadora da exposição Encontros, patente na Casa-Museu Guerra Junqueiro, no Porto, “Gunter Grass era como uma esponja, recolhia impressões sobre algo que tinha visto ou que lhe tinha acontecido e, mais tarde, transformava-as numa peça de arte”. Muitas vezes, os desenhos antecediam as palavras, funcionando como lembretes para uma possível história.

Hilke Ohsoling, da Fundação Günter e Ute Grass, a curadora da exposição Encontros

Hilke Ohsoling, da Fundação Günter e Ute Grass, a curadora da exposição Encontros

Lucília Monteiro

Esta mostra quis realçar a ligação próxima do escritor-artista com Portugal, com uma seleção de obras onde transparece, sobretudo, a tranquilidade dos dias passados no Algarve, onde tinha uma casa desde 1981 e passava longas temporadas. O Atlântico, os animais (peixes, muitos peixes) e a gastronomia são temas recorrentes, seja em aguarelas de cores delicadas, em desenhos a tinta-da-china (ou até em tinta de choco, criada por Grass) ou em esculturas de bronze. Obras realizadas entre a década de 80 e os seus últimos anos de vida, sem o peso da crítica social e política associada aos livros, transportando antes a leveza das vivências portuguesas. “Estar em Portugal era estar fora da sua rotina, livre”, reconhece Hilke Ohsoling, que conheceu o autor em 1995 e o acompanhou nos anos seguintes. A exposição é uma iniciativa do Goethe-Institut Portugal em colaboração com a Fundação Günter e Ute Grass, a Günter Grass-Haus, a Casa-Museu Guerra Junqueiro e a Câmara do Porto. Na inauguração, esta sexta às 18h, marcam presença Tilman Spengler e Katja Lange-Müller, pertencentes ao círculo de escritores impulsionado por Grass, que se reúne desde há 13 anos nos Encontros Literários de Lübeck. Na sessão, serão lidos alguns poemas do autor. Para não esquecer a união entre as palavras e as imagens.

Encontros > Casa-Museu Guerra Junqueiro > R. D. Hugo, 32, Porto > T. 22 200 3689 > 2 mar-23 set, ter-dom 10h-17h30

O sapo pintado com tinta de choco

O sapo pintado com tinta de choco

Lucília Monteiro